sexta-feira, 23 de setembro de 2011

Radio UFS em novas sintonias

Entre novidades e perrengues, a primeira emissora universitária de Sergipe vai ganhando forma para se afirmar com programação qualificada.

Texto, fotos e edição de Daniel Damasio

Mais uma opção de qualidade no rádio sergipano

"Uma programação com músicas e informações que façam o ouvinte pensar". É nessa provocação que o produtor Igor Mangueira sintetiza o objetivo principal da Rádio UFS FM 92,1 MHz,  emissora ligada a Universidade Federal de Sergipe, no ar desde agosto de 2009. A proposta de um conteúdo diferenciado de programação musical se alia no respaldo da divulgação da produção científica e cultural dos vários departamentos da universidade - divulgados durante todo o dia e entre os blocos musicais e programas.

130 W de potência
Proposta que se afirma desde a concepção da emissora, fruto da parceria com a Empresa Brasil de Comunicação (EBC), assinada em 2004 e que teve um processo de cinco anos para a construção da parte física, compra de equipamentos e transmissões experimentais. Operando em Frequência Modulada nos 92,1 MHz e com 130 W de potência, a abrangência engloba São Cristóvão, Aracaju e adjacências. A experiência de uma rádio universitária é inédita em Sergipe, mas no Brasil, os primeiros registros datam de 1950, com a rádio da Universidade Federal do Rio Grande do Sul.
A primeira rádio universitária do Estado

Referências de rádios educativas são variadas, conforme ressalta Igor. "A gente vai mesclando as idéias nossas com as de outras rádios públicas, como a Rádio USP, a própria EBC (da qual a Rádio UFS retransmite os noticiosos Nacional Informa, Repórter Nacional e A Voz do Brasil) e até mesmo a Aperipê". Aliás, a relação com a outra emissora pública de Sergipe - pertencente ao Governo Estadual e operando em AM e FM - o produtor deixa claro: "Nossa relação é bem amigável". Dentro desta amistosidade, há nos bastidores (ainda que tímida) um 'flerte' com a Associação das Rádios Públicas do Brasil (ARPUB), da qual a Fundação Aperipê é afiliada, e cujas conversações são esperadas pela direção.

Igor Mangueira em ação
Dentre as mais semelhanças que diferenças com as demais rádios públicas e educativas, não há uma preocupação obsessiva com a audiência, e sim com a qualidade da programação, a começar pela musical. "Nossa linha musical é fundamentada na MPB, tanto da antiga quanto da nova geração, muita musica alternativa, pop e rock diferenciados e outras que estejam fora da estética comercial, isto é, dentro de um alto padrão de qualidade". enfatiza Igor. Tal critério também vale na ampla divulgação da música sergipana, já que entre produtores, estágiários e até na coordenação de programação (que é chefiada por Juliana Almeida), muitos são familiarizados com a cena musical local. "Inclusive, não só tocamos a produção de Sergipe durante toda a programação, como estreamos na nova grade um programa temático, que é o Cacique Show.", referindo-se ao programa que ele produz e apresenta ao lado de Nino Karvan (com passagem na Aperipê) nos domingos, às 10h.

Parte do acervo musical: diversidade
com critério
Programas temáticos como o Cacique Show são o forte da nova grade de programação estreada em agosto. Entre eles, estão produções como Chega de Saudade (músicas da Era do Rádio e até os anos 1960), Raízes do Sertão, Samba e Chorinho, Manhã 92, Universidade do Rock, e Conexões - além dos tradicionais MP3 (lançamentos), Estilo Brasil, Momento Clássico, entre outros. Sobre Conexões, no ar de segunda à sexta às 16h, Igor define como um legítimo programa temático, capaz de surpreender os ouvintes: "É dividido em blocos relacionados à um assunto. Se, por exemplo, o tema é avião, posso colocar uma música do Nirvana (On a plain) e em seguida uma de Belchior (Medo de avião), e por aí vai, as músicas que se ligam dentro de um contexto", exemplifica Igor.

A redação da rádio: programas, vinhetas e planos


A equipe formada por dois produtores e cinco estagiários, além da equipe técnica, eles se dividem na produção, edição e gravação dos programas e spots, veiculados entre os intervalos dos blocos. No espaço, alem da redação e das partes administrativas e técnicas, há um estúdio de gravação, para os spots, chamadas e vinhetas; e de rádio, para as locuções ao vivo. Entre novembro de 2010 e maio de 2011, a Rádio UFS montou uma equipe de locutores voluntários para os quadros da manhã e da tarde. Porém, ao longo das fortes chuvas que caiam no período, o estúdio de rádio sofreu problemas de ordem física, e foi interditado para reformas - o que provocou a suspensão dos locutores-voluntários, a redução da equipe e até a veiculação de outros programas de rede, exceto A Voz do Brasil. Após quatro meses de reforma, o estúdio foi restaurado e a programação de satélite restabelecida.

Os estúdios onde são produzidos os programas da emissora:
produtividade em meio às dificuldades.

Em busca do tempo 'perdido' e na perspectiva de afirmação da Rádio UFS entre a audiência - com boa receptividade por meio das redes sociais da Internet, por meio do link infonet.com.br/radioufsfm - idéias são o que não faltam para a próxima reformulação da grade. Uma delas é de inserir no jornalismo, focando principalmente os fatos ligados à universidade. Outras virão por meio de edital já realizado, com diversos projetos de professores e acadêmicos em análise para programas e spots. Sempre na expectativa de tornar a opção nova e de bom gosto no rádio sergipano com a sintonia cada vez mais forte.


Da esquerda para à direita: Thaty Vasconscellos, Érica
Fernanda, Hélder Santos, Mário Lima (estagiários),
 Igor Mangueira (produtor) e Eduardo Oliveira (técnica)
Ficha Técnica:
Direção: Messiluce Hansen
Coordenação de Programação: Juliana Almeida
Produção: Igor Mangueira e Nino Karvan
Estágiários: Helder Santos, Thaty Vasconscellos, Carlos Alberto Alves, Mário Lima e Érica Fernanda.
Equipe Técnica: Roberto César, Éliton Gomes e Eduardo Oliveira


Link pela Internet: radioufs921.wordpress.com e/ou radioufs.novo.ufs.br - Twitter: @radioufs


Música e informação em sintonia com uma audiência qualificada (e crescente).

Várias opções em um só lugar

O Parque da Sementeira em suas diversas faces


Por: Alanna Molina, Ana Carolina, Bárbara Costa, Hugo Fernando e Larissa Karoline

Todo morador da cidade de Aracaju conhece o famoso Parque Augusto Franco, ou, como é mais conhecido, Parque da Sementeira. Pode até não frequentar, mas com certeza já ouviu falar. Localizado na Av. Dep. Silvio Teixeira, no bairro Jardins, o parque tem uma área de 396.019 m², onde a pessoa tem a liberdade de passear, praticar esportes, navegar na internet, sentar-se para ler um bom livro, ou simplesmente juntar-se a seus amigos para conversar, além de ser também um local de preservação ambiental. Uma grande área natural para fugir um pouco da urbanização cotidiana da cidade, e um local para sentir a natureza e aproveitar as várias opções de lazer.
Muitas pessoas frequentam o parque para caminhar, andar de bicicleta, levar os filhos para o parquinho infantil ou apenas para relaxar mesmo. Porém, o famoso Parque da Sementeira tem muitos aspectos que, infelizmente, a maioria das pessoas desconhece. Aspectos esses que vão desde os cuidados com a fauna e a flora até a atenção dada ao esporte, cultura e tecnologia.

Caminhada é uma das opções de esporte e lazer

Um pouco da história até hoje

Em 1980 foi criada uma sementeira de cocos como fonte de pesquisa, apropriada pela Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa). Algum tempo depois, na gestão do prefeito Heráclito Rolemberg, a sementeira de cocos foi transformada em parque pela Prefeitura de Aracaju. A partir daí, o local estava aberto ao público, mantendo o verde natural contrastando com o cinza dos concretos da cidade. O nome oficial do parque foi dado em homenagem ao governador da época, Augusto franco, mas acabou ficando conhecido apenas como Parque da Sementeira.
O parque é administrado pela Empresa Municipal de Serviços Urbanos (Emsurb), patrocinado pela Prefeitura de aracaju e a manutenção diária conta com funcionários da limpeza da empresa Torre. Há também biólogos e veterinários, já que lá é mantida uma rica diversidade da fauna e flora. Hoje, quem vai ao parque encontra uma estrutura receptiva. Para a família existe a grande área verde ou os quiosques para um piquenique, e os parquinhos infantis são uma boa opção de diversão e segurança para as crianças, já que todos os brinquedos foram feitos de ferro galvanizado para facilitar a manutenção e dificultar a ferrugem.
A segurança também é intensiva. São instalados e mantidos postes refletores para a ampla iluminação do local, além da presença constante da Guarda Municipal de Aracaju, que mantém um posto ativo dentro do parque e vários guardas em toda a extensão do local.


Um pouco da natureza


No Parque existem mais de 100 espécies de árvores, entre nativas e exóticas da mata Atlântica. Toda o cuidado com a adubação e podação é orientada sob os cuidados de biólogos especializados para manter sempre o habitat e as condições ideais para a vitalidade das plantas. Existe ainda o projeto Farmácia Viva, que alia o conhecimento popular à pesquisa, onde as pessoas podem encontras vários medicamentos entre pomadas, sabonetes, óleos e outros produtos naturais. Todos os medicamentos decorrem de estudos em parcerias com entidades de ensino superior, onde são analisadas a dosagem e a concentração que devem der empregadas nos tratamentos.



A diversidade não só da flora mas como também da fauna já é um atrativo do local. Lá vivem além das aves comuns, patos e cisnes, outras espécies menos vistas, como pica-pau, joão-de-barro, canário, gavião e coruja. Existe um projeto de construção de um grande viveiro que abrigará as aves que estão hoje nas praças Tobias barreto e Teófilo Dantas.

Cultura, Esporte e Tecnologia


No intuito de transformar o parque cada vez mais em um local atrativo, a Prefeitura de Aracaju realiza eventos esportivos e culturais. O projeto Domingo no Parque promove apresentações musicais uma vez por mês, diversificando o fim de semana e proporcionando uma sensação de tranquilidade causada pelo próprio espaço natural. 
Já o projeto Atividade Física no Parque oferece aulas gratuitas ao ar livre, sempre com professores preparados. A aulas são feitas em um tenda montada ou até mesmo na área verde. Além da quadra poliesportiva, campo de futebol, espaço com aparelhos para exercício físico e pista para caminha e passeios de bicicleta.
A Casa de Ciência e Tecnologia da Cidade de Aracaju (CCTECA), instalada dentro do parque, conta com um planetário digital com sistema de som e sala climatizada, que simula, em 3D, imagens reais de planetas, estrelas, galáxias, e que leva os visitantes a uma incrível viagem pelo universo. Além disso a CCTECA também tem 82 experimentos interativos e um telescópio para a observação da lua e até de alguns planetas. Tudo isso aberto ao público, para difundir a ciência e a astronomia e, é claro, para o lazer.
O Parque da Sementeira foi escolhido como primeiro ponto de acesso livre ao sistema wireless em Aracaju. A zona de acesso atinge um raio de 200 a 300 metros, a rede trafega a 1Mbps e pode ser acessada sem senha. 
O parque mostra, assim, que muitas possibilidades de entretenimento oferecidos à população e que é uma opção divertida e segura para aqueles que querem um programa diferente.



E então, qual vai ser a sua opção?


quinta-feira, 22 de setembro de 2011

Áreas de lazer da capital diferem na estrutura e conservação



Por Andreza , Diogo, Edson, Fabrício e Jefferson



13 de Julho cartão postal da cidade





 
 Praia Mirante 13 de Julho e Praça Enedina Nunes Ferreira. Duas áreas igualmente destinadas ao lazer da população aracajuana, mas que contrastam em termos de estrutura e revitalização dos equipamentos esportivos. Enquanto a Praia 13 de Julho, localizada na região da zona sul, é símbolo de cartões postais e um dos mais famosos pontos turísticos do município, a Praça Enedina Nunes Ferreira, na região da zona norte, torna-se símbolo de descaso das autoridades públicas e sinônimo de abandono dos espaços de convivência de lazer na capital intitulada da ‘Qualidade de Vida’.

 
Praça Enedina Nunes Ferreira abandono e sujeira

Inaugurada em 2000, a Enedina Nunes Ferreira constitui-se como uma das principais áreas de lazer para os moradores do bairro 18 do Forte e regiões circunvizinhas. Situada na Avenida Presidente Juscelino Kubitscheck, uma das mais movimentadas do local, a antiga praça que servia para a prática esportiva e interação social entre os moradores, hoje apresenta uma realidade diferente com falta de segurança, iluminação deficiente, equipamentos esportivos quebrados, bancos caídos e quase nenhum espaço arbóreo. 


No local, só é possível contemplar o pouco que sobrou da estrutura de duas quadras poliesportivas. Mas com muita dificuldade, a população aproveita apenas um dos espaços, já que a outra quadra apresenta equipamentos enferrujados e uma estrutura esburacada que coloca em risco a segurança dos praticantes. A pista destinada à prática de corrida, caminhada e ciclismo apresenta rachaduras e falhas em vários dos seus trechos. O lixo também se acumula no local e, segundo relato dos moradores, o número de assaltos é recorrente.



Segundo o autônomo Euler dos Santos, assíduo freqüentador do espaço, os moradores ainda tentaram impedir a deterioração da praça com envio de abaixo-assinado e solicitações freqüentes à administração municipal. Mas até hoje, nada foi feito pelo poder público. “Somente aparecem pessoas falando em restaurar a praça nos anos de eleição. Eles vêm aqui, fazem várias promessas e pedem nossos votos, mas depois que são eleitos desaparecem” desabafa Euler.


 

Outra realidade



A poucos quilômetros da Praça Enedina Nunes é possível contemplar outra realidade em uma das áreas de convivência de lazer da cidade. A Praia Mirante 13 de Julho, localizada na Avenida Beira Mar, está estampada em cartões postais e é uma das principais referências turísticas para os visitantes, com uma estrutura de lazer bem cuidada, limpa e fortemente protegida pela polícia.

 
Equipada com modernas instalações de quadra de futebol, basquete, vôlei de praia, pista de corrida, de ciclismo e equipamentos de musculação, o local é um dos pontos preferidos dos cidadãos para a prática de atividades esportivas e de lazer.  A satisfação em contemplar uma das regiões mais caras e arbóreas da capital é o principal atrativo para esportistas lotarem o espaço diariamente. “Mesmo podendo pagar academia venho aqui quase todos os dias”, confessa o policial militar, Adelmo Amado. 

 
Em 2008, foi criado na cidade de Aracaju um programa que previa a reurbanização e construção de praças na cidade. Somente no ano de inauguração do projeto, 16 praças foram reformadas, dentre elas a Praça Fausto Cardoso, no Centro da Cidade, e a Praça da Juventude, no Conjunto Augusto Franco. Mas desde então, ainda nenhum projeto de revitalização contemplou os freqüentadores da Praça Enedina Nunes Ferreira.




Solicitações 
A assessoria da Empresa Municipal de Obras e Urbanização (Emurb), órgão responsável pelo projeto urbanístico da cidade, negou-se a dar mais informações sobre projetos de reforma e construção de novas praças no município.  Segundo a sua equipe de assessores, eles não podiam se manifestar em nome da instituição e não permitiram o acesso a dirigentes ou responsáveis desse assunto no órgão.


Porém, em recente matéria publicada no site da Prefeitura de Aracaju, o diretor de obras da Emurb, Paulo Costa, explica que os investimentos com praças na capital ultrapassam o valor de R$ 20 milhões, sendo que só em revitalização são gastos R$ 80 mil mensais. Ainda segundo informações da matéria, o pedido de reforma nas praças pode ser realizada pelos próprios moradores, através de solicitações que são encaminhadas diretamente aos funcionários da Emurb.  

 
Ambiente bem equipado incentiva prática esportiva

Alambrado de baixo tamanho e cheio de buracos desestimula esportistas



A fila anda?

Filas compõem a paisagem no cotidiano urbano de Aracaju

Por Iargo Souza, Nayara Arêdes
Paulo Lopes, Raimundo Morais e Victor Limeira



No caminho do trabalho, no supermercado, no banco, no consultório médico. Em pé, sentado ou ainda de outras formas. As filas são uma constante na vida de todo cidadão, independente da função que ocupe, de onde more, de como se locomova e de quais locais freqüenta. É difícil pensar em um dia em que não pegamos fila: podemos perder apenas alguns minutos em uma pequena fila do caixa eletrônico, ou horas na fila de uma repartição pública para retirar um documento, por exemplo – como acontece diariamente no Centro de Atendimento ao Cidadão (Ceac), uma das filas mais famosas de Aracaju. Esta fotorreportagem ilustra algumas das muitas filas que se podem encontrar em diferentes pontos da cidade, em apenas uma manhã.

Às 6h da manhã a fila do Ceac, na Rodoviária José Rollemberg Leite, já concentra muitas pessoas.

Última da fila, dona Maria José sorri, 
impressionada com a quantidade de
pessoas em sua frente.
Às seis da manhã, no Terminal Rodoviário José Rollemberg Leite, o número de pessoas à espera da senha já chama a atenção. São duas filas: uma preferencial – para idosos acima de 60 anos, gestantes, portadores de deficiência e pessoas com crianças até 2 anos – e uma comum. Um dos primeiros da fila, Aldo Santos, 43 anos, tenta pela segunda vez recadastrar seu título de eleitor. “Da outra vez cheguei mais tarde, mas hoje cheguei às 5 da manhã para tentar resolver”, diz. No outro extremo da fila, dona Maria José, 58 anos, diz estar espantada pela quantidade de pessoas: “Trabalho aqui perto, e passei para tentar marcar uma consulta médica. É sempre cheio, mas hoje está demais. Vou ter que voltar outro dia”.

Quem trabalha no Terminal Rodoviário já está acostumado com o tamanho da fila do Ceac. É o caso da atendente de uma das lanchonetes, Mônica Azevedo, de 28 anos. “Hoje está até pequena. É sempre assim, ou até pior. Já vi gente ficando nervosa e voltando pra casa sem conseguir atendimento”, conta. Esperando pelo atendimento na fila preferencial, Lealdo Almeida, 63 anos, diz já ter passado por preconceito pelo fato de exercer seu direito ao atendimento prioritário: “Uma vez, quando estava no mercadinho, passei na frente na fila do caixa. Uma moça ficou me olhando de cara feia e soltando piadinhas. Mas esse é meu direito enquanto idoso”.

O Sr. Lealdo Almeida, em destaque, e seus companheiros de fila. 
Compondo o cenário do terminal, uma extensa fila de táxis espera logo ali em frente pela próxima corrida. Os taxistas tem a fila como parte de seu trabalho, como é o caso do senhor Damião, 55 anos, que trabalha nesta profissão há 25. “Durante o dia, cada um aqui pega quatro ou cinco corridas. A gente demora em média duas horas pra pegar uma corrida, e depois volta ao final da fila.”

Pegar  fila é parte do trabalho dos taxistas. 
No centro da cidade, as filas são uma realidade nas agências bancárias. Antes das 10 horas, horário em que os bancos abrem, as pessoas se aglomeram na área dos caixas eletrônicos enquanto esperam o horário de atendimento. Numa das agências, o escriturário Gilmário Souza, 24 anos, fala a respeito do número de pessoas que por ali passam todos os dias: “não tem como dizer o número exato, mas são sempre muitas pessoas”. E a fila não termina mesmo depois que o banco entra em funcionamento. Depois de entrar, as pessoas permanecem esperando até que suas senhas sejam chamadas nos caixas. E é aí que entra em cena a Lei Municipal de número 2636/98, mais conhecida como “Lei dos 15 Minutos”. A lei – que garante aos clientes o direito de serem atendidos em no máximo 15 minutos em dias comuns, sendo prevista multa à agência que descumprir a norma – está em vigor em Aracaju desde 2007. O escriturário confirma que a agência em que trabalha tenta cumprir a regra, mas que eventualmente podem acontecer atrasos.

        O desânimo da espera é a expressão mais frequente nos rostos da fila
As filas não param por aí. Ainda no centro de Aracaju, uma das filas mais populares é a do Restaurante Padre Pedro, o famoso “bandejão”. Ao preço de 1 real, as refeições atraem uma clientela fiel diária, sobretudo de idosos. A fila, que dá a volta no restaurante, já é habitual aos que transitam e trabalham nos arredores. Durante o horário de funcionamento, das 11h às 13h, o movimento no Padre Pedro permanece intenso. E depois do almoço, na volta para casa ou para o trabalho, o cidadão aracajuano enfrenta mais filas. Nos congestionamentos nas principais avenidas da cidade ou nos terminais de ônibus, as pessoas ainda gastam alguns minutos até chegar ao seu destino. Espalhados em diversos locais de Aracaju, os pontos de recarga do Sindicato das Empresas de Transportes de Passageiros do Município de Aracaju (Setransp) reúnem principalmente estudantes, especialmente nos últimos meses, durante o período de recadastramento dos passes escolares.


Fila para entrada no restaurante popular Padre Pedro

Estudantes esperam na fila do recadastramento de passe

Filas invisíveis

A enfermeira Willyane Almeida
afirma que desinformação
 é um entrave para doação de órgãos
.
Longe da cena urbana, uma fila passa despercebida aos olhos da população. Apesar de não ser presencial, a fila de quem espera para receber um órgão é de longe a mais árdua. A enfermeira responsável pela Central de Notificação, Captação e Distribuição de Órgãos de Sergipe (CNCDO/SE) Willyane Almeida relata: “existem casos de pessoas que esperam anos pela doação e acabam morrendo na fila”. A central funciona em anexo ao Hospital de Urgência de Sergipe (Huse), e realiza transplantes de rim, coração (atualmente sem pacientes cadastrados na lista de espera), ossos e córneas. Em 2011 já foram realizados 88 transplantes de córnea para atender a uma fila de 108 pessoas. Já na fila para o transplante de rins, a situação é grave: entre as 281 pessoas cadastradas, só 4 conseguiram transplante, mas houve rejeição em um dos casos.


Folhetos publicitários da campanha nacional de doação de órgãos

Tabela indica dados sobre transplantes de 
órgãos no estado de Sergipe
Apesar da atuação da Organização de Procura de Órgãos e Tecidos (OPO/SE), o processo para a doação é complicado: após a constatação da morte encefálica do doador, é aberto um protocolo e feita uma triagem para constatar a compatibilidade entre doador e receptor. Ainda assim, há a probabilidade de o transplante não ser bem sucedido, e o receptor em potencial acaba voltando à fila. Este quadro está ligado ao pequeno número de doadores declarados, o que se deve ao medo e ao preconceito ainda bastante presentes entre a população. A enfermeira enfatiza: “existe uma grande necessidade de conscientização entre as pessoas. Avisar à família e às pessoas próximas é fundamental”.

Veja mais fotos na galeria.

E o rio de amanhã?



As várias poluições que atingem o rio Sergipe põem em risco a economia, a cultura e a vida que ele representa.

Por: Egicyane Lisboa, Emily Lima, Lenaldo Severiano, Liliane Nascimento e Pedro de Santana

Bueiro jogando esgoto no rio Poxim, próximo à UFS
Inúmeras latas, garrafas, pneus, sacolas plásticas, isopor, uma pia e um armário. Esses objetos e muitos outros foram vistos em poucas horas nas margens do rio Sergipe, o mesmo rio que banha 26 municípios do estado e beneficia cerca de 1 milhão de sergipanos.  A importância dessa bacia hidrográfica fez com que fosse criado em 2004 o dia do rio Sergipe, definido como 3 de novembro, uma iniciativa interessante, mas que não tem sido suficiente contra todos os outros dias de poluição.
Muito da história, da cultura e da economia dos sergipanos deságuam no Rio Sergipe e nos seus afluentes, neles também tem desaguado a falta de cuidados em forma de esgoto e lixo, jogados diariamente e que interferem não só na preservação do espaço natural, mas também em atividades relacionadas ao rio como a pesca, o lazer e a exploração do seu potencial turístico. A poluição do rio Sergipe nem mesmo é feita em segredo, é fácil observar volumosas quantidades de lixo, pneus e esgotos em um rápido passeio pela margem que banha Aracaju.
Peixe e esgoto em um habitat comum
O descaso com o rio Sergipe já foi atestado em pesquisas, mas mesmo antes disso, foi sentido pelos sergipanos que trabalham em contato com ele, como o pescador Edmilson Higino da Costa que, assegurado pela experiência de mais de vinte anos, afirma que a poluição está cada vez pior, o que interfere na qualidade e quantidade dos peixes e tem tornado a vida do pescador cada dia mais difícil. “Esse rio é muito poluído. Eu encontro muita bolsa plástica, pneu, garrafa pet, até sofá, mesa e cadeira eu já encontrei. Falta consciência do governo e do povo.
Pescador e pneus
Outro lado da poluição é sentido pela família da Dona Cecília Pinheiro Santana que mora às margens do rio Poxim, afluente do Sergipe, com outras 11 pessoas em uma pequena casa, próxima à Universidade Federal de Sergipe (UFS). Esta família vive da catação e reciclagem do lixo que, segundo Dona Cecília, é trazido pelo rio ou coletado em uma pequena canoa da família ao longo das margens em direção à Aracaju. A consciência da poluição faz com que as crianças da casa sejam proibidas de brincar no rio e que a água bebida venha da universidade, pois eles não possuem água encanada, esgoto apropriado ou coleta de lixo doméstico. A água para tomar banho e lavar roupas e utensílios é trazida por um conjunto de mangueiras de outra parte do rio, julgada menos poluída.
Como é comum a cursos fluviais que atravessam centros urbanos, o rio Sergipe tornou-se tão importante quanto ameaçado. Situação semelhante atinge o rio Tietê, em São Paulo, o rio Capibaribe, em Recife e até o rio Citarum, na Indonésia, além desses podem ser citados outros tantos rios urbanos, não como exemplo, mas como avisos e sintomas a combater. Segundo a tecnóloga em saneamento ambiental, bióloga e mestranda em desenvolvimento e meio ambiente pela UFS, Débora Moreira de Oliveira, os problemas gerados pela poluição têm consequências incontáveis e imprevisíveis. “A grande preocupação atual é com a perda de biodiversidade associada à intervenção humana nos mais diversos ambientes.” Ela relaciona esta perda de biodiversidade a distúrbios em cadeias alimentares que podem afetar o homem: “seja pela não mais existência de um organismo essencial para a cura de uma doença ou pela proliferação de pragas que não têm mais o seu predador correspondente.”
Terminal pesqueiro de Aracaju
Entre os perigos diretos para o homem a bióloga indica que dependendo do tipo de uso, os riscos são modificados e intensificados. “No uso de um corpo hídrico contaminado em balneários (praias e rios) os riscos ao ser humano podem ser desde uma ordem mais superficial, como a ocorrência de pequenas lesões na pele, a sérias doenças como a cólera, febres tifóide e paratifóide, esquistossomose, dentre outras. A contaminação também pode vir através da ingestão de água contaminada, de forma rápida, a exemplo da contaminação por vermes, ou de forma lenta, como quando ocorre contaminação por metais pesados presentes na água consumida ou nos animais contaminados (peixes, crustáceos)”.
Mesmo responsável por parte da poluição, na população também surgem iniciativas louváveis como o projeto Construindo uma Jabotiana Saudável que mobiliza a comunidade através de reuniões e caminhadas anuais, organizadas pela equipe de saúde da UFS Manoel Souza Pereira em parceria com escolas do bairro, conselho local de saúde e organizações locais. A Escola Estadual Profº Manuel Franco Freire está entre as instituições de ensino e sua diretora, Maria Suely Silvestre Monteiro, afirma que a escola é um local apropriado para as iniciativas ambientais, pois atua educando não apenas alunos, mas a comunidade para o cuidado com a natureza. “Os moradores vigiam o rio que passa na Jabotiana e estão atentos quando as construtoras e fábricas jogam dejetos no mesmo”.

Pelas ruas de Aracaju, a arte também vem protestando contra a poluição do rio Sergipe, em uma pintura que parece sair da parede, o grafiteiro André Chagas mostra um homem que grita uma lição importante: “Óoii tome conta desse rio!!!”. Ensinamento que já chegou à pequena Ana Raquel Oliveira Farias, de 11 anos, aluna da escola citada acima. “Jogando lixo no rio não tem como a gente viver em paz”. As crianças do projeto aprendem a preservar os rios para construir um futuro melhor e são orientadas a transmitir o conhecimento a amigos e familiares.
Esgoto seguindo para o rio, no centro de Aracaju
Foi dito e repetido por ambientalistas, biólogos, uma série de especialistas e até pelo senso comum, o rio é importante, mas se o discurso não se transformar em ação e as garrafas, sacolas, latas, pneus, pias, armários e esgotos não forem retirados e deixarem de ser jogados, o rio estará fadado a um destino semelhante ao de outros rios urbanos, que têm se transformados em esgotos a céu aberto. Sem um trabalho efetivo os grafites serão só manchas na parede e as vozes das crianças irão para o nada assim como os peixes, os mangues, a diversão nas águas e a beleza para encantar os olhos dos moradores locais e dos turistas.