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sexta-feira, 23 de setembro de 2011

Radio UFS em novas sintonias

Entre novidades e perrengues, a primeira emissora universitária de Sergipe vai ganhando forma para se afirmar com programação qualificada.

Texto, fotos e edição de Daniel Damasio

Mais uma opção de qualidade no rádio sergipano

"Uma programação com músicas e informações que façam o ouvinte pensar". É nessa provocação que o produtor Igor Mangueira sintetiza o objetivo principal da Rádio UFS FM 92,1 MHz,  emissora ligada a Universidade Federal de Sergipe, no ar desde agosto de 2009. A proposta de um conteúdo diferenciado de programação musical se alia no respaldo da divulgação da produção científica e cultural dos vários departamentos da universidade - divulgados durante todo o dia e entre os blocos musicais e programas.

130 W de potência
Proposta que se afirma desde a concepção da emissora, fruto da parceria com a Empresa Brasil de Comunicação (EBC), assinada em 2004 e que teve um processo de cinco anos para a construção da parte física, compra de equipamentos e transmissões experimentais. Operando em Frequência Modulada nos 92,1 MHz e com 130 W de potência, a abrangência engloba São Cristóvão, Aracaju e adjacências. A experiência de uma rádio universitária é inédita em Sergipe, mas no Brasil, os primeiros registros datam de 1950, com a rádio da Universidade Federal do Rio Grande do Sul.
A primeira rádio universitária do Estado

Referências de rádios educativas são variadas, conforme ressalta Igor. "A gente vai mesclando as idéias nossas com as de outras rádios públicas, como a Rádio USP, a própria EBC (da qual a Rádio UFS retransmite os noticiosos Nacional Informa, Repórter Nacional e A Voz do Brasil) e até mesmo a Aperipê". Aliás, a relação com a outra emissora pública de Sergipe - pertencente ao Governo Estadual e operando em AM e FM - o produtor deixa claro: "Nossa relação é bem amigável". Dentro desta amistosidade, há nos bastidores (ainda que tímida) um 'flerte' com a Associação das Rádios Públicas do Brasil (ARPUB), da qual a Fundação Aperipê é afiliada, e cujas conversações são esperadas pela direção.

Igor Mangueira em ação
Dentre as mais semelhanças que diferenças com as demais rádios públicas e educativas, não há uma preocupação obsessiva com a audiência, e sim com a qualidade da programação, a começar pela musical. "Nossa linha musical é fundamentada na MPB, tanto da antiga quanto da nova geração, muita musica alternativa, pop e rock diferenciados e outras que estejam fora da estética comercial, isto é, dentro de um alto padrão de qualidade". enfatiza Igor. Tal critério também vale na ampla divulgação da música sergipana, já que entre produtores, estágiários e até na coordenação de programação (que é chefiada por Juliana Almeida), muitos são familiarizados com a cena musical local. "Inclusive, não só tocamos a produção de Sergipe durante toda a programação, como estreamos na nova grade um programa temático, que é o Cacique Show.", referindo-se ao programa que ele produz e apresenta ao lado de Nino Karvan (com passagem na Aperipê) nos domingos, às 10h.

Parte do acervo musical: diversidade
com critério
Programas temáticos como o Cacique Show são o forte da nova grade de programação estreada em agosto. Entre eles, estão produções como Chega de Saudade (músicas da Era do Rádio e até os anos 1960), Raízes do Sertão, Samba e Chorinho, Manhã 92, Universidade do Rock, e Conexões - além dos tradicionais MP3 (lançamentos), Estilo Brasil, Momento Clássico, entre outros. Sobre Conexões, no ar de segunda à sexta às 16h, Igor define como um legítimo programa temático, capaz de surpreender os ouvintes: "É dividido em blocos relacionados à um assunto. Se, por exemplo, o tema é avião, posso colocar uma música do Nirvana (On a plain) e em seguida uma de Belchior (Medo de avião), e por aí vai, as músicas que se ligam dentro de um contexto", exemplifica Igor.

A redação da rádio: programas, vinhetas e planos


A equipe formada por dois produtores e cinco estagiários, além da equipe técnica, eles se dividem na produção, edição e gravação dos programas e spots, veiculados entre os intervalos dos blocos. No espaço, alem da redação e das partes administrativas e técnicas, há um estúdio de gravação, para os spots, chamadas e vinhetas; e de rádio, para as locuções ao vivo. Entre novembro de 2010 e maio de 2011, a Rádio UFS montou uma equipe de locutores voluntários para os quadros da manhã e da tarde. Porém, ao longo das fortes chuvas que caiam no período, o estúdio de rádio sofreu problemas de ordem física, e foi interditado para reformas - o que provocou a suspensão dos locutores-voluntários, a redução da equipe e até a veiculação de outros programas de rede, exceto A Voz do Brasil. Após quatro meses de reforma, o estúdio foi restaurado e a programação de satélite restabelecida.

Os estúdios onde são produzidos os programas da emissora:
produtividade em meio às dificuldades.

Em busca do tempo 'perdido' e na perspectiva de afirmação da Rádio UFS entre a audiência - com boa receptividade por meio das redes sociais da Internet, por meio do link infonet.com.br/radioufsfm - idéias são o que não faltam para a próxima reformulação da grade. Uma delas é de inserir no jornalismo, focando principalmente os fatos ligados à universidade. Outras virão por meio de edital já realizado, com diversos projetos de professores e acadêmicos em análise para programas e spots. Sempre na expectativa de tornar a opção nova e de bom gosto no rádio sergipano com a sintonia cada vez mais forte.


Da esquerda para à direita: Thaty Vasconscellos, Érica
Fernanda, Hélder Santos, Mário Lima (estagiários),
 Igor Mangueira (produtor) e Eduardo Oliveira (técnica)
Ficha Técnica:
Direção: Messiluce Hansen
Coordenação de Programação: Juliana Almeida
Produção: Igor Mangueira e Nino Karvan
Estágiários: Helder Santos, Thaty Vasconscellos, Carlos Alberto Alves, Mário Lima e Érica Fernanda.
Equipe Técnica: Roberto César, Éliton Gomes e Eduardo Oliveira


Link pela Internet: radioufs921.wordpress.com e/ou radioufs.novo.ufs.br - Twitter: @radioufs


Música e informação em sintonia com uma audiência qualificada (e crescente).

quinta-feira, 22 de setembro de 2011

A fila anda?

Filas compõem a paisagem no cotidiano urbano de Aracaju

Por Iargo Souza, Nayara Arêdes
Paulo Lopes, Raimundo Morais e Victor Limeira



No caminho do trabalho, no supermercado, no banco, no consultório médico. Em pé, sentado ou ainda de outras formas. As filas são uma constante na vida de todo cidadão, independente da função que ocupe, de onde more, de como se locomova e de quais locais freqüenta. É difícil pensar em um dia em que não pegamos fila: podemos perder apenas alguns minutos em uma pequena fila do caixa eletrônico, ou horas na fila de uma repartição pública para retirar um documento, por exemplo – como acontece diariamente no Centro de Atendimento ao Cidadão (Ceac), uma das filas mais famosas de Aracaju. Esta fotorreportagem ilustra algumas das muitas filas que se podem encontrar em diferentes pontos da cidade, em apenas uma manhã.

Às 6h da manhã a fila do Ceac, na Rodoviária José Rollemberg Leite, já concentra muitas pessoas.

Última da fila, dona Maria José sorri, 
impressionada com a quantidade de
pessoas em sua frente.
Às seis da manhã, no Terminal Rodoviário José Rollemberg Leite, o número de pessoas à espera da senha já chama a atenção. São duas filas: uma preferencial – para idosos acima de 60 anos, gestantes, portadores de deficiência e pessoas com crianças até 2 anos – e uma comum. Um dos primeiros da fila, Aldo Santos, 43 anos, tenta pela segunda vez recadastrar seu título de eleitor. “Da outra vez cheguei mais tarde, mas hoje cheguei às 5 da manhã para tentar resolver”, diz. No outro extremo da fila, dona Maria José, 58 anos, diz estar espantada pela quantidade de pessoas: “Trabalho aqui perto, e passei para tentar marcar uma consulta médica. É sempre cheio, mas hoje está demais. Vou ter que voltar outro dia”.

Quem trabalha no Terminal Rodoviário já está acostumado com o tamanho da fila do Ceac. É o caso da atendente de uma das lanchonetes, Mônica Azevedo, de 28 anos. “Hoje está até pequena. É sempre assim, ou até pior. Já vi gente ficando nervosa e voltando pra casa sem conseguir atendimento”, conta. Esperando pelo atendimento na fila preferencial, Lealdo Almeida, 63 anos, diz já ter passado por preconceito pelo fato de exercer seu direito ao atendimento prioritário: “Uma vez, quando estava no mercadinho, passei na frente na fila do caixa. Uma moça ficou me olhando de cara feia e soltando piadinhas. Mas esse é meu direito enquanto idoso”.

O Sr. Lealdo Almeida, em destaque, e seus companheiros de fila. 
Compondo o cenário do terminal, uma extensa fila de táxis espera logo ali em frente pela próxima corrida. Os taxistas tem a fila como parte de seu trabalho, como é o caso do senhor Damião, 55 anos, que trabalha nesta profissão há 25. “Durante o dia, cada um aqui pega quatro ou cinco corridas. A gente demora em média duas horas pra pegar uma corrida, e depois volta ao final da fila.”

Pegar  fila é parte do trabalho dos taxistas. 
No centro da cidade, as filas são uma realidade nas agências bancárias. Antes das 10 horas, horário em que os bancos abrem, as pessoas se aglomeram na área dos caixas eletrônicos enquanto esperam o horário de atendimento. Numa das agências, o escriturário Gilmário Souza, 24 anos, fala a respeito do número de pessoas que por ali passam todos os dias: “não tem como dizer o número exato, mas são sempre muitas pessoas”. E a fila não termina mesmo depois que o banco entra em funcionamento. Depois de entrar, as pessoas permanecem esperando até que suas senhas sejam chamadas nos caixas. E é aí que entra em cena a Lei Municipal de número 2636/98, mais conhecida como “Lei dos 15 Minutos”. A lei – que garante aos clientes o direito de serem atendidos em no máximo 15 minutos em dias comuns, sendo prevista multa à agência que descumprir a norma – está em vigor em Aracaju desde 2007. O escriturário confirma que a agência em que trabalha tenta cumprir a regra, mas que eventualmente podem acontecer atrasos.

        O desânimo da espera é a expressão mais frequente nos rostos da fila
As filas não param por aí. Ainda no centro de Aracaju, uma das filas mais populares é a do Restaurante Padre Pedro, o famoso “bandejão”. Ao preço de 1 real, as refeições atraem uma clientela fiel diária, sobretudo de idosos. A fila, que dá a volta no restaurante, já é habitual aos que transitam e trabalham nos arredores. Durante o horário de funcionamento, das 11h às 13h, o movimento no Padre Pedro permanece intenso. E depois do almoço, na volta para casa ou para o trabalho, o cidadão aracajuano enfrenta mais filas. Nos congestionamentos nas principais avenidas da cidade ou nos terminais de ônibus, as pessoas ainda gastam alguns minutos até chegar ao seu destino. Espalhados em diversos locais de Aracaju, os pontos de recarga do Sindicato das Empresas de Transportes de Passageiros do Município de Aracaju (Setransp) reúnem principalmente estudantes, especialmente nos últimos meses, durante o período de recadastramento dos passes escolares.


Fila para entrada no restaurante popular Padre Pedro

Estudantes esperam na fila do recadastramento de passe

Filas invisíveis

A enfermeira Willyane Almeida
afirma que desinformação
 é um entrave para doação de órgãos
.
Longe da cena urbana, uma fila passa despercebida aos olhos da população. Apesar de não ser presencial, a fila de quem espera para receber um órgão é de longe a mais árdua. A enfermeira responsável pela Central de Notificação, Captação e Distribuição de Órgãos de Sergipe (CNCDO/SE) Willyane Almeida relata: “existem casos de pessoas que esperam anos pela doação e acabam morrendo na fila”. A central funciona em anexo ao Hospital de Urgência de Sergipe (Huse), e realiza transplantes de rim, coração (atualmente sem pacientes cadastrados na lista de espera), ossos e córneas. Em 2011 já foram realizados 88 transplantes de córnea para atender a uma fila de 108 pessoas. Já na fila para o transplante de rins, a situação é grave: entre as 281 pessoas cadastradas, só 4 conseguiram transplante, mas houve rejeição em um dos casos.


Folhetos publicitários da campanha nacional de doação de órgãos

Tabela indica dados sobre transplantes de 
órgãos no estado de Sergipe
Apesar da atuação da Organização de Procura de Órgãos e Tecidos (OPO/SE), o processo para a doação é complicado: após a constatação da morte encefálica do doador, é aberto um protocolo e feita uma triagem para constatar a compatibilidade entre doador e receptor. Ainda assim, há a probabilidade de o transplante não ser bem sucedido, e o receptor em potencial acaba voltando à fila. Este quadro está ligado ao pequeno número de doadores declarados, o que se deve ao medo e ao preconceito ainda bastante presentes entre a população. A enfermeira enfatiza: “existe uma grande necessidade de conscientização entre as pessoas. Avisar à família e às pessoas próximas é fundamental”.

Veja mais fotos na galeria.

quarta-feira, 22 de junho de 2011

Forró Caju continua à todo vapor


Por Daniel Nascimento

Banda Passarada do Ritmo abre
apresentações no palco principal.
Petrucio Amorim
O Forró Caju já é considerado o maior festejo junino do estado de Sergipe. São dezenas de artistas que se revezam durante 12 dias de festa. Seja no palco Principal, Luiz Gonzaga, no Alternativo, Gerson Filho, ou no Arraial, a animação e os ritmos nordestinos embalam o público.

Nessa terça-feira, dia 21, a noite começou ao som da banda Passarada do Ritmo. Logo depois, Petrúcio Amorim sobe ao palco Luiz Gonzaga para animar os casais. A Banda Fogo Na Saia fez os casais dançarem com seu forró romântico. A noite acabou com a apresentação da banda Calcinha Preta, debaixo de uma leve chuva.
Fogo na Saia bota os casais para
dançar com sue forro romântico
Calcinha Preta fecha a noite 

Músicos sergipanos são destaque
no palco Alternativo
Aqueles que preferem mais sossego ou uma música mais regional podem conferir durante toda a noite shows de bandas sergipanas no palco Gerson Filho. Próximo ao palco alternativo também fica o Arraial, com apresentação de quadrilhas e trios nordestinos.








Confira a programação dos próximos dias