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terça-feira, 6 de dezembro de 2011

Igrejas e Altares de São Cristóvão

Por Illton Bispo, Osmar Rios, Wallison Oliveira, Eudorica Luciana e Helder Santos.
São Cristovão é considerada por muitos como um verdadeiro museu a céu aberto. Uma cidade pacata que guarda na sua memória verdadeiros tesouros da arquitetura colonial brasileira. O visitante que anda pelas ruas da cidade, não imagina que elas serviram de cenário para muitas batalhas na época do Brasil colonial que se desenrolaram sob o testemunho silencioso dos seus velhos casarões e de suas igrejas de arquitetura de estilo barroco.
A cidade foi fundada por Cristovão de Barros, em 1590, época que Portugal estava sobre o domínio espanhol. De lá pra cá sofreu sucessivas mudanças, até se firmar no local em que se encontra hoje. E desde 1939, é tombada pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN). A beleza dos   monumentos de São Cristóvão estão por toda parte do centro histórico e impressionam, ora pela  imponência ora pela sua simplicidade. Sua arquitetura esplendorosa se manifesta nas fachadas de suas igrejas, que vão desde suas curvas sinuosas, até seus ricos beirais de pedra. E o que dizer da beleza dos seus interiores manifestado nos detalhes e na riqueza dos seus altares.
Igreja e Convento de Santa Cruz (ou Convento de São Francisco)

Vista panorâmica da Igreja e Convento de São Francisco,
localizado na Praça São Francisco, patrimônio da Humanidade.

 Foi através de doações da população local aos padres franciscanos que se deu a construção do conjunto arquitetônico em 1693. No local já funcionou a Assembléia Provincial e serviu com quartel para as tropas do batalhão que combateu os seguidores de Antônio Conselheiro na Guerra de Canudos. A igreja possui quatro arcos em pedra onde forma um pórtico.

Altar-mor da Igreja São Franisco, com entalhamento em madeira,
sustentado por oito colunas torsas em motivos florais

A igreja e de caráter barroca, e composta por dois altares laterais com colunas torsas, entalhes em motivos florais recoberto com uma fina camada de ouro, formam a nave da igreja. A porta  principal possui ombreiras trabalhadas em pedra e folhas almofadadas. E no interior, a capela-principal possui altar com dossel sustentado por oito também com colunas torsas, e com entalhamentos dourados. Já o púlpito e coro também possui balaustrada em madeiramento.

Púlpito-Local onde os padres realizavam seus sermões durante os séculos XVII e XVIII.


Igreja matriz Nossa Senhora da Vitória 
 
 
Igreja Matriz Nossa Senhora da Vitória edificada no início do século XVII.


É o mais antigo monumento tombado pelo Iphan em Sergipe. Sua construção é datada do inicio do XVII, pelos padres jesuítas, ainda na época que o Brasil estava sob domínio de rei Felipe da Espanha, e por muitos anos a igreja foi sede do episcopado. 

Altar- mor da Igreja Nossa Senhora da Vitória, ornamentado
em detalhes florais recoberto com uma fina camada de dourado


Altar- mor de Nossa Senhora da Vitória ao centro, à sua esquerda a
imagem do Sagrado coração de Jesus e a direita, São Cristovão

Em 1608, foi criada a matriz de Nossa Senhora de Vitória, pelo o Bispo da Bahia, Dom Constantino Barradas. Durante a invasão holandesa em Sergipe, sofreu danos irreparáveis e sua restauração foi quase uma reconstrução. Em meados do século XIX, ela passa por outra grande reforma, quando recebe a atual decoração do interior em talha de madeira da escola neoclássica baiana.
Altar da Capela do Santíssimo Sacramento, localizado na lateral esquerda dentro da Matriz.

 Igreja Nossa Senhora do Amparo

Fachada da Igreja Nossa Senhora do Amparo, construída durante o século XVII
Sua construção é datada do final do século XVIII, atribuída aos holandeses, porem há controvérsias. Na época era mantida pela Irmandade de Nossa Senhora do Amparo, composta apenas por homens, sendo extinta em 1902. A partir de1907 passou a ser administrada pelo vigário de São Cristóvão.

Coro da Igreja do Amparo, com emadeiramento original da época de construção
  
Visão geral da nave da igreja Nossa Senhora do Amparo, composta por dois altares laterais e no interior,
a capela-prinipal e com o altar-mor dedicado a santa
A igreja permaneceu quase meio século desativada. Em 1996, foi totalmente restaurada, não só em seus elementos artísticos integrados como também em todo o conjunto arquitetônico, voltando a sua função original.
Um dos altares que formar a nave da igreja, este dedicado a São José

Igreja da Ordem terceira do Carmo
Igreja de Nossa Senhora do Carmo, mais conhecida como Igreja do Senhor dos Passos, datada de 1743

A Igreja da Ordem Terceira do Carmo, mais conhecida como Igreja de Senhor dos Passos, local de peregrinação durante a festa que leva o seu nome. A portada é em cantaria com volutas e estátua, datada de 1743. O interior possui altar-mor em talha de madeira em estilo rococó e seis altares laterais em estilos tardo-barrocos.

Altar-mor de Nosso Senhor dos Passos,localizado no interior da igreja da Ordem terceira do Carmo.

É o mais antigo monumento tombado pelo Iphan em Sergipe. Sua construção é datada do inicio do XVII, pelos padres jesuítas, ainda na época que o Brasil estava sob domínio de rei Felipe da Espanha, e por muitos anos a igreja foi sede do episcopado.


Altar  de Nossa Senhora das Dores em uma das laterais da Igreja do Carmo
  
Gostou? Quer ver mais fotos desses lindos altares e dessas deslumbrantes igreja?
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quinta-feira, 10 de novembro de 2011

Thales Ferraz: sentido histórico, patrimônio e memória.

O tempo não parou ao contrário do relógio que se ergue no centro do mercado, a vigiar os que trabalham em seu entorno. 



Por Eudorica Luciana, Osmar Rios, Joseilton Bispo, Helder Santos e Wallison Oliveira


Qual a diferença entre o mercado Thales Ferraz e o Albano Franco? Um passeio por entre eles poderia ser suficiente para que diversas impressões viessem a tona pelos sentidos. Nossa visão e olfato são os primeiros descritores do espaço.
Entre um mercado de carnes, peixes, legumes (Albano Franco) e um outro, com artefatos culturais a venda, fabricados em série para os que desejam consumir “uma cultura nordestina” ou sergipana (Tales Ferraz), podemos perceber algumas semelhanças no passado e diferenças no presente. Ambos foram criados, em sua origem, para realizarem atividades aparentemente iguais. Os usos se transformaram com a história e hoje o Thales Ferraz, que seria um mercado de carnes,  frutas e legumes, se transformou em espaço de consumo de uma cultura mediada pela industria turística. Nisso outros produtos entram em cena, que diferenciam os dois mercados e que remete para além, também, de suas diferenças arquitetônicas.





O que se vende no Thales Ferraz é uma representação do passado. O passado se transforma em produto e o mercado em espaço de consumo. Nesse sentido, as narrativas históricas tentam circunscrever visualmente o espaço como um monumento histórico. Mas, a origem, que tanto se despreza no outro mercado  (sujeira, odor, tipos, produtos), não compõe mais a narrativa sobre o Tales Ferraz.

A (re)forma do Thales Ferraz não é um fenômeno isolado no Brasil, se insere nas questões que movimentam os centros históricos no país mediados pelos programas de revitalização, cujo os usos são redefinidos em razão do produto que se pretende expor (passado).


O atrativo histórico movimenta a economia, permitindo que diversos comerciantes sobrevivam dele.  São submetidos a um processo maior normatizador, mais efetivo que os outros mercados, de forma que policiamento, condutas e territórios de comércio são vigiados de forma diferenciadas.



Desse modo, o desafio aos gestores se faz de modo duplo. Preservar o sentido histórico do patrimônio, como memória de uma sociedade e garantir que sejam espaços sejam geradores de emprego e renda. 

                                                A história do Thales Ferraz
A origem
O mercado Thales Ferraz foi construído em 1948, com a função de auxiliar o Mercado Antonio Franco que já não dava conta das necessidades da população local. Seu nome é uma homenagem ao industriário homônimo (Thales Ferraz) era também conhecido como mercado novo. 
Revitalização
Seu processo de revitalização incluiu também o centro histórico, o Mercado Antonio Franco e a reurbanização e paisagismo dos largos Misael Mendonça e Manoel M. Cardoso. No total, foram gastos 2.174.754,76 reais. Com a restauração, foram disponibilizados 272 pontos comerciais - bares, restaurantes, lanchonetes, lojas de artesanato, mercearias, confecções e comércio complementar (casa lotérico, farmácia, barbearia, etc) -  com condições de higiene e sanitária.


O Mercado Thales Ferraz é parte do patrimônio edificado de Aracaju e se insere no contexto de sua evolução urbanística. Ficam no centro da cidade tendo sido previsto em 1855. O centro deveria ter a forma de um traçado com linhas entrecruzadas, como um motivo xadrez – a posição dos mercados e seu estilo arquitetônico estão em harmonia com o projeto inicial.

O Mercado Antônio Franco provia a população de gêneros alimentícios, que até sua construção só eram vendidos em feiras livres móveis. Com o crescimento da capital, tornou-se necessário ampliar o espaço, e assim foi construído o mercado “auxiliar” Thales Ferraz.

Em 1999 iniciou-se um processo de revitalização da área, e atualmente os mercados são usados como centros culturais e de feiras artesanais e de culinária regional. Não são tombados em nenhuma das esferas públicas.






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sexta-feira, 4 de novembro de 2011

Bike Fantasy reúne defensores do transporte sustentável

Por Andreza, Daniel, Diogo, Edson, Fabrício, Jeferson
 
 

Ciclistas fantasiados chamam a atenção dos motoristas e pedestres para o compartilhamento e uso democrático das vias da capital


Bruxas, fadas, enfermeiras e palhaços. Tinha fantasias para todos os gostos, tamanhos e estilos na 3ª edição do Bike Fantasy, realizado no último domingo, 30, pelo Movimento Bicicletada Aracaju. O evento reuniu ciclistas que desfilaram pelas principais ruas e avenidas da capital, com o objetivo de conscientizar condutores e pedestres sobre a viabilidade do compartilhamento do espaço viário entre os veículos motorizados e os transportes alternativos.
 

Formado há cerca de quatro anos, o grupo Bicicletada Aracaju se encontra, sempre no último domingo de cada mês, para promover encontros e atividades de ciclismo entre os praticantes do esporte na cidade. Segundo Tiago Alves, um dos organizadores do evento, o grupo é caracterizado por ser um movimento horizontal, sem estabelecer lideranças e vínculos com quaisquer atividades de fins lucrativos.
 

“O objetivo é chamar a atenção da população sobre os benefícios da bicicleta como um veículo de transporte sustentável que ajuda tanto no condicionamento físico, como na melhoria do estado de saúde das pessoas. Por isso, é importante promover espaços e atividades que reforcem a importância do ciclismo em Aracaju, seja na luta por melhores ciclovias, na construção de bicicletários e em campanhas de incentivo para aumentar o número de praticantes”, explica Tiago.

 
 
 
Conscientização

Cerca de 50 pessoas, entre adultos, idosos e crianças, estiveram concentrados no Calçadão da Praia 13 de Julho, para dar início ao percurso de aproximadamente duas horas de relógio. Em geral, os organizadores tentam manter o mesmo nível de velocidade entre os participantes, como uma forma de não deixar nenhum membro para trás e estabelecer um ritmo coeso para todo o grupo. Durante o passeio, algumas paradas eram realizadas em sinaleiras localizadas ao longo do trajeto, com a finalidade de entregar panfletos e conversar com os condutores presentes no local.

Luciano Aranha, um dos mais antigos organizadores do grupo, explica que a intenção da conversa é sensibilizar os motoristas sobre a possibilidade de coexistência pacífica nas vias entre carros e bicicletas. “Os motoristas devem entender que o ciclista não é um condutor invisível. Pelo contrário, devemos ser respeitados com o mesmo tratamento oferecido aos outros condutores motorizados. Em especial, sobre a questão da distância mínima de segurança entre os veículos e bicicletas”, afirma.
 
 







Aprovação

A animação era contagiante entre os participantes do Bike Fantasy. Na opinião das amigas Selma Dantas e Selma Freitas, o evento é uma excelente oportunidade para aproximar pessoas com gostos parecidos, além de estimular a prática do ciclismo entre a população.
 

 “Aqui, foi possível encontrar pessoas que também gostam de pedalar e são freqüentadores assíduos da prática ciclística. A gente mesmo, por exemplo, acabou se conhecendo durante um dos eventos promovidos pelo grupo e, a cada dia, o nosso círculo de amizades vem crescendo durante os encontros de ciclismo que participamos”, explicam as amigas.

Já para a mãe e filha, Adriana e Adriele Gomes, atividades de ciclismo ajudam a atrair novos adeptos para a prática e reduzir o número de motoristas nas ruas. “As pessoas começam a se tocar que é possível andar nas ruas sem a necessidade de usar sempre os carros. A bicicleta é um veículo menos poluente, ajuda a manter a boa forma e a promover uma melhoria na qualidade de vida das pessoas”, opinam.














terça-feira, 1 de novembro de 2011

Sescanção traz música de qualidade produzida em Sergipe

Músicos e toda a equipe do Sesc
                                   


Por Ayalla Anjos, Cleanderson Santana, Maíra Silveira, Sóstina Silva, Thaís Leite

Na última terça, 25 de outubro, Sergipe pôde sentir orgulho de seus músicos ao prestigiar a 13ª Mostra Sergipana de Música Sescanção, realizada no Teatro Tobias Barreto. O teatro que de início mostrou-se tímido em número de pessoas, aos poucos teve grande parte de suas poltronas ocupadas, ao principiar o evento com a apresentação do Quinteto de Cordas de Sergipe.
O Sescanção, que é promovido pelo Serviço Social do Comércio –SESC, surgiu em 1996 em formato de Festival de Música. Nesse período foram descobertos grandes talentos no pequeno território sergipano, a exemplo de Patrícia Polayne, Ivan Reis e Kleber Melo. “O Sescanção é realizado de dois em dois anos. E um ano antes a gente já começa a preparar todo o projeto e divulgação. Seis meses antes a gente começa o processo de inscrição para a seleção, por que dois meses antes do evento a gente já tem que estar com as músicas selecionadas”, explica Excelsa Machado, superintendente regional do Sesc. Em 2004 o Sescanção resolveu extinguir o caráter competitivo de um festival e passou a se denominar como mostra. O objetivo do evento passou a ser de mostrar o que há de melhor sendo produzido no estado, sem ganhadores, perdedores e sem hierarquizações entre os gêneros musicais expostos. “A não competitividade foi um ponto importante, porque leva a uma integração da classe artístico-musical. Isso muda a história da música. Todos mostram que tem competência de mostrar o seu trabalho. Não existe melhor nem maior, somos iguais”, afirma Raquel Leite, gerente de cultura do Sesc.



O evento teve como cerimonialista o DJ Junior Versiani


Odir Caius trouxe a canção "Uma flauta no choro" (instrumental)


Claúdio Vilanova  e a canção "Mundo Hostil"



Neste ano, 72 artistas inscreveram-se no Sescanção apresentando 3 músicas cada, o que resultou num total de 216 canções, dentre essas, para compor a mostra,16 foram selecionadas por um júri formado por músicos e professores. “Meu papel foi escolher os músicos certos. A boa música que vimos aqui hoje foi fruto da comissão de seleção e dos músicos que fizeram os arranjos”, relata o técnico em música Fábio Oliveira. A diversidade de gêneros musicais foi marcante, uma vez que foram expostas ao público composições do rock, reggae, rap, MPB, samba, chorinho e música infantil. “A meu ver, atendeu a expectativa. Os selecionados mostraram competência. A gente que viaja muito vê que Sergipe tem pessoas de alto gabarito, cada um dentro do seu estilo. O público mostrou que estava gostando. Reagiram positivamente, todos aceitaram todos os estilos”, conta Raquel Leite. Nas palavras da estudante de Jornalismo, Laura Borges, “O Sescançao é uma só uma amostra do que tem de lindo em Sergipe. O evento é apenas a vitrine para tanto produto cultural de qualidade que temos para consumir aqui. É hora de esses artistas aparecerem”. Entretanto, de acordo com a fotógrafa Moema Costa, a mostra poderia ter sido incrementada com atrações surpresas para dinamizar o evento e surpreender o público.

A banda Diconduta cantou" Tá no jogo é pra jogar"


Ao final de cada apresentação, todos os artistas receberam troféus para ressaltar a idéia de integração entre a classe artista-musical sergipana, em que todos saem como ganhadores. “Isso aqui é uma mostra, os candidatos foram selecionados pela sua competência e maturidade musical. Aqui todo mundo é igual, e isso dá uma cara de festa, de celebração”, afirma o músico Fábio Oliveira. Dois meses antes da mostra o Sesc ofereceu gratuitamente aos 16 selecionados oficinas de percussão, técnica vocal e técnica de palco. O resultado surpreendeu o público, que aplaudiu de pé a qualidade e o desempenho no palco dos músicos. “Artistas se movimentaram no palco, utilizaram o espaço tecnicamente perfeito. Não ficaram estáticos, e isso não se vê no Brasil. Eles mostraram alma, juntaram talento musical e de palco”, ressalta a gerente de cultura do Sesc, Raquel Leite.                        

Celda Mota e sua canção "Rima"


Elvis Boamorte cantou "Satisfação"
Lena Oliver interpretou " O olhar de menina"


Homenagem

Durante o evento, foi homenageado o músico sergipano Wellington dos Santos, conhecido como Irmão, falecido em novembro do ano passado. Irmão iniciou seu trabalho na década de 70, e foi um dos primeiros artistas da terra a se consagrar na cena musical. Foi cantor, compositor e militante dos movimentos em prol da cultura em Sergipe. 

“Irmão foi escolhido porque acreditou nessa mostra, e foi a partir daqui que ele foi revelado. E pelo seu amor à música, sua busca de ver qualidade e de ver crescer a classe musical. Ele foi um guerreiro da música sergipana”, conta Raquel Leite.


Divulgação

Cerca de um ano após a mostra, serão lançados CDs com as composições que fizeram parte do Sescanção a fim de dar maior apoio aos artistas que estão começando e ao mesmo tempo divulgar a música produzida em Sergipe. “Após a mostra, depois que os cds estão prontos, fazemos uma entrega oficial. A gente ajuda na divulgação chamando os músicos nos eventos comemorativos, solicitando nas rádios, e no próprio programa de rádio do SESC (estação Sesc)”, relata a Superintendente Regional do Sesc, Excelsa Machado. Para o técnico em música que fez parte da comissão avaliadora das canções escritas, Fábio Oliveira, no tocante à divulgação, o músico contemporâneo, ciente da falta de apoio governamental, não deve esperar que a oportunidade venha até si, mas que este saiba ser também produtor e saber lidar com as redes sociais para divulgar seu trabalho de maneira eficiente.



Alberto Silveira tocou " Quase primavera" (instrumental)
               

quinta-feira, 20 de outubro de 2011

Por trás das cortinas

No Tobias Barreto, as histórias dos bastidores contadas por quem faz o teatro acontecer aos olhos do público

Por Iargo Souza, Nayara Arêdes, Victor Limeira 
e Raimundo Morais



Fundado há cerca de dez anos, o Teatro Tobias Barreto é o grande espaço público das manifestações culturais e artísticas em Sergipe. Durante sua história, o TTB já recebeu grandes espetáculos, de projeção internacional, nacional e local. Entre cores, sons, textos e movimentos, o mistério do teatro se faz realidade para o público. Quem assiste a apresentação, no entanto, muitas vezes ignora a complexa dinâmica de trabalho que acontece nos bastidores.

As palavras de Tobias Barreto no hall 
de entrada do teatro 
Por trás das cortinas há um engenhoso trabalho de cenografia, iluminação, sonoplastia, ensaios e tudo o que envolve o processo de concepção da cênica.  O TTB funciona de forma a receber e tornar concretas as idéias dos produtores e artistas. Nas palavras da diretora administrativa do teatro, Salete Martins, “Isso aqui é um hotel. É gente entrando e saindo o tempo todo. A gente está sempre trabalhando, quando não há espetáculo tem montagem”.  Para que o show aconteça, portanto, toda a equipe tem que estar em sintonia.
Além do palco com área de atuação de 16m e dos 1328 lugares divididos entre mesanino e plateia, o Tobias Barreto conta ainda com sala de dança, 11 camarins, seis camarotes, sala da técnica, salas administrativas e a sede da Orquestra Sinfônica de Sergipe (ORSSE) – onde acontecem ensaios diários com mais de 70 músicos. Quando os holofotes se apagam, toda esta estrutura pulsa para criar a atmosfera de um novo espetáculo.


O teatro e o público

Salete Martins,
 diretora
administrativa do TTB  
A produção de espetáculos no TTB é realizada por conta de produtores locais, com o apoio estrutural da diretoria do teatro. Há quatro anos o Tobias Barreto tem sido ainda mais requisitado devido às reformas no Teatro Atheneu, cuja conclusão está prevista para o próximo ano. “Estamos com uma grade fechada até 2013, já que o TTB está sozinho atendendo a demanda de todos os eventos do estado”, diz Salete Martins. Com o término da reforma do Atheneu, o Tobias Barreto passará por um período de recesso para manutenção – o que não acontece desde sua abertura.

A reforma do Atheneu colaborou para que o Tobias Barreto pudesse atrair um público mais popular, sobretudo com os preços acessíveis nas peças que contam com o apoio do governo federal. Soma-se a isso as políticas para atrair público ao teatro como a disponibilidade de acentos gratuitos para deficientes, meia entrada para estudantes,  idosos e professores. Essas ações têm contribuído para que as pessoas criem o hábito de ir ao teatro, um espaço que antes era tido como elitizado. “O teatro aqui abriu uma porteira. E isso fez com que Sergipe se transformasse numa potência dentro do cenário cultural brasileiro. Por aqui estão passando turnês de grandes espetáculos, com artistas consagrados”, diz a diretora administrativa. Os gêneros que trazem maior público ao teatro são os chamados stand up, as comédias e os shows de música. Além disso, o TTB tem aberto espaço para a produção de espetáculos infantis.

Há 10 anos em funcionamento, o TTB prepara-se para sua primeira
reforma.

A diretora chama a atenção para a falta de consciência na utilização do espaço do teatro. “Algumas pessoas querem levar comida, entrar depois do início da apresentação e até atender o celular.”, conta Salete. A funcionária da limpeza Vilma Matos confirma: “o público sergipano precisa se educar mais. Trabalho aqui há dez anos, e já cheguei até a ver briga por comida”. Por esse motivo, a coordenação do TTB tem a intenção de lançar no próximo ano uma campanha institucional para a educação dos espectadores.

A técnica

Técnico prepara os equipamentos pra o show da noite

Na composição de uma peça teatral, a técnica assume o papel de transformar a idéia do artista em algo concreto. A junção entre a interpretação, a iluminação, o som, o cenário e os efeitos de cena é o que dá a identidade do espetáculo aos olhos do espectador.

Segundo o técnico em iluminação Sérgio Robson, a cenografia cria o clima do espetáculo. “A concepção de iluminação é feita como uma pintura. O artista nos passa o plano do show, e nós fazemos uma interpretação para criar a atmosfera”. Para Sérgio, participar do planejamento faz com que o espetáculo perca a “mágica”. “Todos se tornam iguais nos bastidores, desde o artista até a técnica”.

"A iluminação é 30% do show, talvez até mais", diz Sérgio Robson.


O técnico em sonoplastia Tadeu Oliveira fala da dificuldade e do prazer de trabalhar no teatro: “A gente chegou hoje aqui 9h, e só vai sair lá pra meia noite. As pessoas ligam a televisão e pensam que já está tudo bonitinho, mas tem uma série de técnicos trabalhando pra que tudo dê certo. No teatro é a mesma coisa. A profissão é boa, dá até pra ganhar dinheiro na medida do possível. Mas a gente tem que amar o que faz”.


Na cabine de som, longe dos olhos do público, o espetáculo ganha vida.
A atriz

Com 15 anos de carreira, Rosana ainda sente aquele "friozinho
na barriga" ao entrar em cena.
Rosana Costa, diretora artística do Teatro Tobias Barreto e integrante do Grupo de teatro Oxente há mais de dez anos, fala do teatro com olhar de quem conhece. A atriz vê com bons olhos o atual momento em Sergipe, e lembra das dificuldades e prazeres ao longo de sua carreira. “Antigamente, quem fazia teatro não tinha o que fazer, o artista era mesmo marginalizado. Hoje a gente tem mais espaço”. Durante o percurso entre as dependências do TTB, Rosana conta: “Sempre tive o incentivo da minha família, mas já cheguei a ser discriminada pela minha escolha de ser atriz.”

Apaixonada pela profissão, Rosana se diverte ao contar as histórias por trás da coxia. Para a atriz, um dos grandes marcos de sua carreira aconteceu na Paraíba, em uma montagem de “O Santo e Porca”, de Ariano Suassuna. Ela conta do nervosismo ao representar o texto diante de seu autor, que estava sentado na primeira fila: “quando o texto é de humor, a gente sempre tem a possibilidade de brincar e colocar ‘cacos’. Mas o autor estava lá, aumenta a responsabilidade de não distorcer o texto. Acabou que saiu tudo bem, ele gostou, veio falar com a gente, autografou um cartaz da peça. Foi muito bom.”

"É no camarim, à medida em que a gente vai colocando o figurino, a maquiagem...
é aí que o personagem surge", conta Rosana.

A atriz, que já atuou em espetáculos como “O Casamento Suspeitoso” e “Os Saltimbancos”, nunca recusou um papel. Afirma ainda que não teria problemas em ficar nua no palco. “Já atuei como lésbica, prostituta, homem, e já cheguei a ficar só de calcinha em cena. Não escolho o papel, é ele quem me escolhe. Se fosse preciso ficar nua, não teria problemas, desde que o nu tivesse uma intenção artística. O corpo não pode ser banalizado”.

Para Rosana, atuar no palco do TTB ainda causa algum receio. “Ele é muito imponente. É difícil ocupar um palco tão grande. Para o artista, o palco mais aconchegante ainda é o do Atheneu. Como a gente costuma dizer, o Atheneu é o ‘primo pobre‘, e o Tobias é o ‘primo rico’.”, brinca. “Mas o importante mesmo é estar no palco. A força do espetáculo é tão forte que pra alguns artistas é difícil sair do personagem. Para mim, o teatro é um meio transformador, em que eu aprendi muito.”

O espetáculo
Audry da Pedra Azul e Ezequias Carvalho interpretam Pavão Misterioso
Depois de um longo tempo de planejamento e todo um dia de montagem, eis que os esforços de todos os profissionais dos bastidores são postos à prova. Chegada a grande hora, quando as cortinas se abrem, o artista deixa de ser uma pessoa comum para incorporar seu personagem. Neste momento, meses de ensaio e dedicação encontram seu ponto culminante, o que justifica o clima de tensão. “A concepção do show é uma gestação, e a estréia é o parto”, diz Pierre Feitosa, diretor do espetáculo Seu Tipo. Nesse show, o artista Audry da Pedra Azul personifica o cantor Ney Matogrosso, dublando de forma passional algumas das principais canções de seu repertório.

Coreografias bem elaboradas envolvem o público
Quarta-feira, noite chuvosa. No palco, um artista da terra. Esse poderia ser o cenário de um show sem público ou aplausos, mas não foi o que aconteceu na noite de ontem no Teatro Tobias Barreto. Pelo contrário: Audry e sua equipe trouxeram um grande público à casa, sendo ovacionado de pé.
"Não faço plágio, e sim homenagem.
Por isso, já fui reconhecido pelo próprio
Ney, meu ídolo", conta Audry.

Nascido em São Cristóvão,
Ezequias Carvalho já dançou
ao lado de Ana Botafogo.
No repertório, canções de Chico Buarque, Cazuza, Raul Seixas e outros,      imortalizadas na voz e na performance caricata de Ney Matogrosso e imitada com brilhantismo pelo artista sergipano. Além do talento de Audry, as coreografias elaboradas pelo bailarino Ezequias Carvalho exploraram o viés dramático da obra do artista, trazendo a força da poesia e prendendo a atenção do público do início ao fim. “Para criar as coreografias eu me inspiro na música, tento interpretá-la através dos movimentos”. E completa: “Trabalho com Audry há oito anos, e o show dele é sempre muito esperado por ser um celeiro da dança aqui no estado.”

Artista, bailarinos, música e luz compõem o espetáculo
Em um show denso, composto por momentos intimistas, Audry interagiu com o público, descendo à platéia e dançando. “É muito prazeroso quando as pessoas vem até mim no final do show e dizem que gostam do meu trabalho. A gente passa muito tempo concebendo o show, ensaiando, pensando em surpresas para agradar ao público... Por isso, a alma do espetáculo são os bastidores. O show só anda quando estamos ao lado de uma equipe competente, em que confiamos.”

  
Alfredo Martins e sua esposa,
Elizabeth Almeida, deixam o teatro
satisfeitos.
A opinião de Audry se confirma na voz do público. “Todos os que contribuíram para que o show fosse feito estão de parabéns. É uma pena que não tenha mais gente pra ver. A estrutura desse espetáculo não deixa nada a desejar, pode ser levado para qualquer lugar do mundo”, diz, empolgado, o espectador Alfredo Martins. E se há a aprovação do público, última instância do ciclo do fazer teatro, é sinal de que a dinâmica dos bastidores é bem sucedida. Para mais imagens clique aqui.

No fim do show, equipe agradece ao público.