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terça-feira, 20 de setembro de 2011

Revolução

Com quatro obras recém inauguradas, orçadas em mais de R$ 4 milhões, e mais 18 sendo executadas, a UFS tornou-se num verdadeiro canteiro de obras


Por Arli Casas, Dafnne Victoria, Susanmelila, Taiene Rodrigues, Tatiana Santos


Com o objetivo de oferecer mais conforto, comodidade e melhores condições de ensino e aprendizagem aos estudantes, a Universidade Federal de Sergipe (UFS) vem realizando uma verdadeira revolução de obras no Campus de São Cristóvão, localizado no bairro Rosa Elze. São novas didáticas, departamentos e lanchonetes espalhadas pela instituição, modificando a paisagem e o espaço que abriga a imponente Universidade.


E todas essas mudanças podem ser divididas entre positivas e negativas. Os pontos negativos estão relacionados com a questão ambiental, porque a geração de resíduos e seus acúmulos estão sendo depositados nos canteiros, que fazem parte da preservação permanente, contribuindo assim para a poluição tanto ambiental quanto visual.

As dezoito obras em execução e as vinte e seis que estão em processo de licitação fazem parte do plano de expansão da universidade. Entre elas, estão as construções dos novos estacionamentos, que é um exemplo de ponto positivo.  Os novos estacionamentos melhoram a distribuição e ajudam a evitar a concentração de automóveis, que a cada período, vêm aumentando, contribuindo assim para um espaço mais democrático.

Para o estudante de Matemática, Alysson José dos Santos, na verdade, o que falta na UFS é planejamento administrativo na hora de executar as obras. “A realidade tanto da UFS quanto de inúmeras universidades públicas é a desorganização administrativa descontrolada. Crescem em extensão, mas não dão suporte para esse crescimento. As universidades precisam de um controle para que haja um equilíbrio em ambas as partes. A cada novo dia, a UFS inicia uma obra, no entanto, outras que já estão em andamento, muitas vezes param”, afirma o acadêmico.

Os novos alunos, ao andarem pelo campi de São Cristóvão percebem as modificações, mas nem todos prestaram atenção, que para que houvesse essa expansão, muitas árvores foram retiradas. O bambuzal foi uma das mudanças que mais foi percebida pelos estudantes, já que a sombra da árvore servia para o descanso e para reuniões frequentes. A área do bambuzal foi substituída pela construção do Centro de Ciências Sociais Aplicadas-CCSA, que já está em fase de conclusão. Outra mudança visível aos olhos dos transeuntes diz respeito as três amendoeiras que ficavam atrás do Diretório Central dos Estudantes (DCE), árvores que foram retiradas, mas que segundo a professora do curso de Administração de Empresas e Coordenadora de Projetos da UFS, Jenny Dantas Barbosa, a Associação dos Docentes da Universidade Federal de Sergipe (Adufs) é a responsável pela obra e inclusive pela derruba das árvores.


Ainda de acordo com a coordenadora, a universidade tem uma área de preservação permanente de 300mil m². No entanto, esta área tem recebido resíduos constantemente. Os entulhos estão sendo jogados nessas áreas sem necessidade, apesar de estarem construindo uma calçada, deveriam ter a preocupação ambiental e cuidar para que as áreas fossem limpas e não utilizadas como depósito de resíduos.


O que muitos universitários não sabem é que existe a medida compensatória, que consiste no plano de que ao derrubar uma árvore, dez mudas devem ser plantadas. Durante esse tempo de construções, mais de mil mudas foram plantadas, sendo que há registros da retirada de duzentas árvores. No estacionamento que está sendo feito, de frente ao Departamento de Educação Física, haviam sido plantadas oitenta mudas que faziam parte da medida compensatória, mas logo depois passaram o trator para preparar a área para os estacionamentos.

UFS Ambiental

Paralelo às inúmeras obras, e para que o meio ambiente nãos sofra descontroladamente com as constantes mudanças, a UFS conta com o programa UFS Ambiental, que une diversos projetos socioambientais, objetivando melhorar a qualidade de vida e as condições do meio ambiente na Universidade Federal de Sergipe. Dentre os projetos ativos se encontram: Coleta Seletiva; Trânsito: UFS na luta do direito de ir e vir; Reaproveitamento do óleo do Restaurante Universitário- RESUN- que é transformado em sabão, Redução do consumo de água e energia; Arborização; Licitação sustentável.

A Implementação da Coleta Seletiva na UFS, teve início no Campus de São Cristóvão e logo após nos outros Campis (Lagarto, Laranjeiras, Itabaiana). O coordenador do UFS Ambiental, Fred Amado, define o investimento feito para o programa como “um investimento ambiental”. Mais de cem lixeiras, entre grandes e pequenas, foram compradas e uma parceria foi firmada com os alunos do Curso de Publicidade e Propaganda, da UFS, que ficaram responsáveis por construírem a identidade visual do projeto. Fred justifica que a coleta seletiva, é um projeto que não trará custo adicional para as despesas da UFS, pois o lixo é recolhido pela Empresa Torre, que já tem parceria com a universidade. Todas as quartas-feiras o caminhão da Torre recolhe o lixo e leva para a Cooperativa dos Catadores do bairro Coqueiral.

Mais informações podem ser obtidas na sala da UFS Ambiental, localizada na Reitoria, 1º andar, pelo telefone (79) 2105-6449 ou através do Facebook, clicando no link http://www.facebook.com/profile.php?id=100002439696432



Com um investimento de quase R$ 4,5 milhões, a Universidade Federal de Sergipe entregou a comunidade acadêmica no dia 15 de agosto, quatro obras no campus de São Cristóvão: prédio da Didática VI, ampliação do Almoxarifado Central do Departamento de Recursos Materiais (DRM), reforma do Departamento de Educação Física e Parque Aquático e implantação do Sistema de Rede de Telecomunicações.
A UFS fez uso de recursos de convênio com a Secretaria de Ensino Superior (Sesu) na instalação da nova rede e de verbas de seu orçamento na reforma do Parque Aquático. Já as obras de ampliação do almoxarifado e Didática VI foram feitas com verbas do Reuni (Programa de Reestruturação Universitária) do Ministério da Educação.




Confira a área e o custo das obras inauguradas
Inauguração do Prédio da Didática VI
Área: 3.440 m2
Valor: R$ 2.442.275,27
Ampliação do Almoxarifado Central do Departamento de Recursos Materiais
Área: 762 m2
Valor R$ 700.185,11
Reforma do Departamento de Educação Física e do Parque Aquático
Área: 3.120 m2
Valor: 604.392,20
Implantação do Sistema de Rede de Telecomunicação
Extensão: 10.300 m
Valor: R$ 714.190,71Valor: R$ 714.190,71

Obras em execução
Construção do Dpto. De Medicina Veterinária
 Ampliação e adequação do FLAVOR
Ampliação e Adequação do RESUN
 Reforma das Instalações elétricas – CCET e CCBS
Projeto executivo de Infraestrutura de Irrigação
Implantação da infraestrutura dos Laboratórios Móveis
 Garagem da PREFCAMP
 Ampliação de Engenharia de Materiais
 Plano de Recuperação de áreas Degradadas e Projeto Executivo de Esgotamento Sanitário
 Prédio Adm CECH
Construção do Departamento de Nutrição
 Mezaninos do CCET e CCBS
 Cercamento do Campus São Cristóvão
 Infraestrutura do Campus São Cristóvão

Obras a serem licitadas em 2011
 Construção da Didática VII
Construção do Complexo Laboratorial
Acessibilidade e Sinalização
 Reforma e Ampliação da Biblioteca Central- BICEN
Construção do Departamento de Matemática
Centro de Vivência – 5ª etapa


Mais informações podem ser obtidas no site www.ufs.br

A arte do 'Velho Chico'



Por Roberto Aguiar, Luiza Cazumbá, Eduardo Ferreira, Mateus Alves e Shayne Coelho  

Localizada à margem direita do Rio São Francisco, a 125 km da capital Aracaju, Santana do São Francisco, com 7.038 habitantes (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística -IBGE/Censo 2010), é o polo sergipano do artesanato de cerâmica. De acordo com o Secretário Municipal de Turismo, Hugo Barroso, 80% da economia do município vêm do artesanato e das olarias de telhas e tijolos. Imagens, peças figurativas, utensílios domésticos e vasos decorativos oriundos do barro são vistos por todas as partes da cidade. Nas portas das casas, nas calçadas, nos comércios e em locais coletivos de comercialização.


A matéria-prima recolhida das lagoas é misturada à areia do ‘Velho Chico’. O processo é realizado manualmente. Os trabalhadores que desenvolvem essa função são chamados de candangos. Cabe às eles prepararem a massa que nas mãos de muitos homens e mulheres santanenses ganha vida vários objetos artesanais.

Dona Mariza Silva tem 47 anos, há 30 anos trabalha com artesanato. “Comecei pintando e depois passei a fazer as peças”, falou enquanto em suas mãos preparava um pequeno pato. Dona Mariza vende seus produtos, junto com outros 66 vendedores, no Centro de Comercialização de Artesanato, localizado na entrada da cidade. De acordo com Dona Mariza, o espaço foi construído pelo governo estadual em 1999 e hoje está sob  responsabilidade da Prefeitura Municipal. A artesã Fátima Carvalho, 43 anos, frisou que cada vendedor contribui com uma taxa de R$10 mensais para pagar a energia, água e garantir a limpeza do espaço. “O Centro de Artesanato serve para que as pessoas possam conhecer melhor, ver de perto, com mais precisão nosso trabalho”, disse Dona Marisa.

Dona Mariza é artesã desde a adolescência. Quando tinha 17 anos começou a trabalhar com a cerâmica.

Produção e Comercialização
Toda a produção, desde a retirada da argila à pintura é feita manualmente. Isso implica em uma divisão social do trabalho que encarece um pouco mais a produção, porém, o uso de tecnologias desestruturaria um processo antigo e desestabilizaria um conjunto enorme de famílias.


Artesão com as mãos na massa no estabelecimento Cerâmica Rodoviária

Uma parcela de trabalhadores sobrevive retirando a argila das lagoas, misturando-as à areia do rio. Pronta para a fabricação do artesanato, a argila é vendida a R$15 a pisa. Isso equivale a mais ou menos 10 bolos. Outra parcela de trabalhadores carrega essa argila até as casas ou cerâmicas de artesanato. Cada ‘carroçada’ custa em torno de R$10. Há a parcela de trabalhadores que sobrevivem vendendo a lenha para manter aceso o forno. Cada fecho custa R$50. Isso sem contar o custo com tinta, verniz, pincel e outros materiais.





Para manter esse equilíbrio na produção os próprios artesãos buscam alternativas. Na Cerâmica Lamujo, nove artesãos dividem o mesmo espaço de trabalho, utilizam o mesmo forno, mas cada um produz o seu artesanato. “A produção fica mais em conta, cada um produz as suas encomendas”, disse Isaac Soares, 34 anos.

Artesãos em atividade na Cerâmica Lamujo.

Outros buscam na inovação a valorização do seu trabalho. Wilson de Carvalho, 44 anos, mais conhecido como Capilé, constrói peças grandes, algumas chegam a medir quase dois metros de altura. “Procuro criar novas figuras, novas imagens e formas. Com isso tenho me destacado e estou ganhando um dinheiro a mais”, disse Capilé. O artesão está construindo um presépio gigante que estará em exposição nas festas natalinas em Aracaju. A obra de arte saiu por R$6.000,00.


A Prefeitura Municipal tem desenvolvido algumas políticas voltadas para os artesãos. Todos são isentos de impostos. Para participação em feiras e exposições garante o transporte dos artesanatos e o stand para que os produtos possam ser comercializados no evento. De acordo com Secretário Municipal de Turismo, a prefeitura está adquirindo um caminhão-baú para prestar serviços exclusivos aos artesãos.

O grande projeto da prefeitura é o Polo Industrial Ceramista. Segundo o Secretário Municipal de Agricultura, Adeilton Tavares, a cerâmica vai sair das ruas e ganhar um lugar específico. “As pessoas poderão ver de perto desde o inicio da produção até a comercialização”, frisou o Secretário. “Vamos tirar os artesãos do fundo de quintal e colocá-los em um polo organizado e estruturado para a produção artesanal”, acrescentou Hugo Barroso, Secretário Municipal de Turismo.

Hugo Barroso (Secretário Municipal do Turismo ) e Adeilton Tavares (Secretário Municipal da Agricultura).


Em 2008, o governo do estadual cedeu uma área para plantio de eucalipto para o corte da lenha. A primeira extração será realizada ano que vem e o projeto é coordenado pelo Sindicato dos Artesãos de Santana do São Francisco e a Associação das Cerâmicas Vermelha (tijolos/telhas). Porém, apenas 30% da produção serão destinadas à cerâmica de artesanato. “Temos apenas três olarias de tijolos e telhas, as outras olarias contempladas nesse projeto são de outros munícipios, inclusive duas são de Colégio, munícipio de Alagoas. O projeto deveria contemplar pelos menos 40% da extração da lenha aos artesãos”, reclamou o Secretário Municipal de Agricultura.

Valorização do artesanato
O artesanato de cerâmica produzido em Santana do São Francisco é vendido para todo o Brasil. Alagoas, Bahia, Pernambuco e Rio Grande do Norte são os estados que mais importam o artesanato santanense. A arte do ‘Velho Chico’ ganhou simpatia dos cubanos, italianos e franceses. Agora, precisa de fato ganhar a simpatia e a valorização dos sergipanos.




A rica produção artística de Santana do São Francisco precisa ser valorizada para que Dona Mariza não reclame que o material por ela produzido e vendido a R$3,00 não seja revendido por R$15,00 em Aracaju. Com 30 anos de profissão, uma valorosa artesã não pode chegar a simples conclusão que “o pouco que ganhamos é somente para o sustento”.


Em meio a todo o rústico processo de produção, nas cerâmicas cheias de argilas e peças figurativas, observamos que a presença de um pequeno aparelho de som era obrigatória. “É para distração. Ouvir música é bom”, disse José Roberto, 43 anos, da Cerâmica Rodoviária. Na verdade é que arte pede arte. Assim como o artesanato santanense pede valorização. Essa esperança brilha nos olhos do jovem Jadilson Carvalho, 13 anos, que há três meses começou a produzir com suas primeiras peças de cerâmica, uma replica de um velho pescador com sua vara de pescar.