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domingo, 27 de novembro de 2011

Salão Imobiliário movimenta setor de negócios da construção civil de Sergipe

O Salão Imobiliário aquece a economia sergipana com a geração de 200 empregos diretos e indiretos, além da arrecadação de R$ 200 milhões de investimentos no setor imobiliário


Por Andreza, Daniel, Diogo, Edson,  Fabricio, Jefferson





Mais de 12 mil pessoas foram aguardadas no Centro de Convenções de Sergipe (CIC), entre os dias 23 a 27 de novembro, durante a 5ª edição do Salão Imobiliário. O evento, criado em 2007, oferece a oportunidade de o público conferir os melhores e mais sofisticados projetos residenciais, como também de conhecer os grandes lançamentos do mercado imobiliário sergipano. Cerca de 30 novos imóveis serão lançados exclusivamente no Salão Imobiliário, responsável por movimentar o setor de negócios imobiliários em todo Estado.


A expectativa dos organizadores é que o volume de negociações chegue ao valor de R$ 230 milhões, representando um aumento de 15% em relação ao ano passado. Na primeira edição, o valor obtido das negociações imobiliárias foi de R$ 80 milhões, e no ano passo de R$ 200 milhões. Antes da abertura oficial do evento, foi possível gerar mais de 200 empregos diretos e indiretos, além de investimentos no valor de R$ 2 milhões, através de publicidade e montagem dos equipamentos de estrutura.


Nos 30 estandes do evento, distribuídos entre construtoras, bancos de créditos e imobiliárias locais, serão divulgados os principais novos empreendimentos em construção na cidade. A grande maioria dos novos edifícios está avaliada na faixa de preços entre R$ 120 mil e R$ 2,5 milhões, mantendo uma estrutura física semelhante a outras construções locais, que possuem torres residenciais de 12 andares e equipamentos de lazer privativo.

Algumas inovações no setor imobiliário também serão divulgadas ao público, como a construção de prédios que mesclam espaço habitacional e comercial em uma mesma área. Segundo a Associação dos Dirigentes das Empresas do Mercado Imobiliário de Sergipe (Ademi), realizadora oficial do evento, o Salão Imobiliário se consagra como um dos maiores eventos da área da construção civil do Estado. Segundo Gilmara Almeida, assessora de comunicação da Êxito Eventos, que promoveu o salão, ele já é o maior evento econômico do estado. 


“O tradicional Salão Imobiliário sagrou-se no calendário oficial do estado e é o mais aguardado por quem decide comprar um imóvel. Quem faz investimentos no setor imobiliário também aguarda o período do salão para fazer investimentos em imóveis lançados durante o evento que reúne os maiores nomes do setor em Sergipe”, divulga a assessoria de comunicação da entidade, em nota divulgada no site do evento.

Grandes nomes como Cosil, FFB, Casa Nova, Nassal, Felizola, AC Engenharia, Stanza, Impacto, Decide, Tempo imobiliário, Paulo Sousa Imóveis, Valor Imobiliária, Zelar, Tecnoconsult, Santa Maria, Cunha, Norcon, Jotanunes, Engeb, União, Celi, EMPE e Cohab mostrarão para os visitantes as suas mais variadas opções de plantas e lançamentos. O Banco do Brasil, a Caixa,  e o Banese também participam do Salão disponibilizando para os visitantes as diversas opções de financiamentos para a aquisição da casa própria. A Sergás e Prefeitura Municipal de Aracaju também são parceiras que participam do evento.



O público do evento


Davi Pinheiro é um técnico de enfermagem de 30 anos. Juntamente com sua esposa, a técnica de laboratório Simone Pinheiro, de 30 anos, eles buscava seu primeiro imóvel próprio. Simone conta que eles estão casados há sete anos, e todo esse tempo moravam pagando aluguel. Eles acham que esse é um bom momento para comprar um imóvel, porém não possuem um planejamento fechado, já que estavam olhando várias possibilidades de compra.

Liliane Prado (esquerda), Lizandro Machado (Centro), sobrinho Vitor Machado(direita)


Por outro lado, a Design Liliane Prado, de 23 anos, e o Técnico em Manutenção Lizandro Machado, de 28 anos, estavam com um plano de compra bem definido. Eles pretendem se casar “no dia seguinte da entrega do apartamento!”, diz Lizandro. Ambos planejaram o orçamento e estão decididos a morar na Aruana. “Ao chegar ao estande perguntamos logo se tem na Aruana, ou nem entramos”, diz Liliane. Quando perguntada sobre a disponibilidade de opções, a design é bem enfática. “Fico em dúvida com opções boas até demais”, diz.

Já o casal formado pelo empresário José Costa, 40 anos, e Rita de Cássia Costa, 36 anos, tem um perfil bem distinto. Eles são casados há muitos anos e já possuem imóvel próprio. Estavam no salão pesquisando possibilidades de compra, em nenhum lugar definido, apenas para investimento.


Quem trabalha para o público


Gilmara Almeida, assessora de comunicação de uma das realizadoras do evento, conta que muitas pessoas esperam o evento para procurar um imóvel para comprar. De igual modo, as construtoras reservam muitos lançamentos para esse evento. “Facilita por estar tudo num só lugar; é seguro, trânquilo, tem espaço para as crianças” conta Gilmara.  Ela aponta inclusive para os elaborados trabalhos de paisagismo que as construtoras fazem em seus estandes: “Capricharam muito. A cada ano eles se superam na ornamentação”.

Assessora Gilmara Almeida
Gilmara explica ainda que o gráfico de freqüência tem estado dentro do esperado. No primeiro dia de visitas compareceram 1.600 pessoas, e eles esperam um número duas vezes maior a cada dia do fim de semana. “Sábado é o nosso pico. Esperamos entre três e quatro mil pessoas” diz ela.

Porém João Aderbal, corretor de imóveis de 36 anos, está trabalhando no salão e sente um movimento muito fraco. Ele diz que o público não só está menor do que no ano passado, como as pessoas estão reclamando dos preços por achar os imóveis caros. Mas apesar disso, ele acha que as vendas estão indo muito bem, e diz: “acho que o evento está muito bem feito”.










quinta-feira, 17 de novembro de 2011

Fortes chuvas causam estragos no loteamento Profilurb

Por Arli Casas, Dafnne Victoria, Suzanmelila Matos, Taiene Esmerim, Tatiana dos Santos


O temporal que assola a capital baiana há aproximadamente duas semanas, deixaram visíveis estragos nos bairros periféricos de Salvador. O loteamento Profilurb I, situado no bairro de Campinas de Pirajá sofreu com os alagamentos e a falta de infraestrutura, que com as chuvas dificultaram ainda mais a vida dos moradores.
 O histórico de busca por melhores condições de moradia é longo para os moradores da localidade, que desde o seu início sofre com a falta de saneamento básico e estrutura para escoamento das águas provenientes da chuva, entre outras necessidades básicas, como calçamentos nas ruas e acesso as partes altas da comunidade com escadarias danificadas pelo tempo e pelo descaso dos governantes.
 Por possuir um revelo acidentado, não é difícil encontrar na cidade de Salvador a ocupação desordenada do solo, ainda mais se tratando dos bairros da periferia, onde está concentrado mais da metade das construções consideradas irregulares pela Defesa Civil, órgão que tem a finalidade de promover a segurança da população em circunstâncias de desastres.
Entre os estragos causados pelas chuvas na cidade, estão os alagamentos em diversos pontos da capital, deslizamentos de terra de encostas e desabamentos de casas, que foram construídas em locais de risco. O prefeito da capital baiana, João Henrique de Barradas Carneiro, decretou estado de calamidade por 90 dias.

O loteamento
A comunidade Profilurb I existe há aproximadamente 30 anos. Os primeiros moradores que aqui chegaram, encontram o lugar quase que desabitado, um extenso espaço ocupado por matagais.
A moradora Alaíde dos Santos de 75 anos, residente há 27 anos na comunidade, fala que ao chegar para morar no loteamento, a estrutura necessária para habitação era muito pouca e que não havia energia elétrica e rede de esgoto. Serviços esses que foram instalados tardiamente e que até os dias atuais ainda é muito precário. Todo o bairro é cortado pelo rio Camurugipe, grande contribuinte para o alagamento das ruas em épocas de chuva, e que há duas décadas ainda não sofria com a poluição. Nos dias atuais tornou-se um espaço altamente poluído, que pela falta de uma devida rede de esgoto, recebe todos os dejetos domésticos produzidos pelo bairro.





quinta-feira, 10 de novembro de 2011

O que é o Natal?

Para uns uma data religiosa, já para outros uma festa comercial

Por Alanna Molina, Ana Carolina, Bárbara Costa e Larissa Ferreira. 

Enfeite de Natal no Centro de Aracaju
O Natal é uma data cristã que comemora o nascimento de Jesus Cristo. No dia 25 de dezembro as pessoas celebram o amor, o ano que está acabando, a paz e a família. Porém, as pessoas têm esquecido do seu verdadeiro significado, lembrando apenas do capitalismo que já está intrincado nas pessoas do mundo inteiro.
Inicialmente, em 25 de dezembro era comemorado o “Natalis Solis Invicti” (“nascimento do sol invencível”), uma festa pagã onde os romanos adoravam o deus persa da agricultura, Mitra. Em 354 d.C. esta data foi “cristianizada” e passou a ser comemorado o nascimento de Jesus Cristo. As pessoas trocavam presentes como símbolo dos que foram dados pelos três Reis Magos a Jesus no dia do seu nascimento. As lojas, com o tempo, perceberam como poderiam lucrar com essa data, e passaram a se preparar, cada vez mais cedo, com muitos produtos, promoções e com decorações que chamam a atenção dos seus clientes.


Pessoas em compras 

Decoração natalina
Assim que o Dia das Crianças fica para trás, começam as preparações para o Natal. As lojas se enchem de árvores de Natal, presépios e promoções. Apesar de as lojas se prepararem em outubro, é em novembro que o movimento começa a crescer. As pessoas vão às compras, aproveitando enquanto as lojas não estão cheias de gente, mas sim de variedades de produtos. Todos querem garantir os melhores presentes para seus entes queridos e amigos. Márcia, uma vendedora de uma loja de variedades no centro de Aracaju, contou que o Natal é a data mais lucrativa do ano e que as maiores vendas são de presentes e decoração para a casa. Ela acha que o verdadeiro significado da data está sendo esquecido, dando lugar ao crescente capitalismo.

Símbolo natalino

Um grande exemplo de como o capitalismo vem influenciando o Natal é o conhecido “bom velhinho”. O Papai Noel foi inspirado em São Nicolau, um bispo que gostava de dar presentes aos necessitados. Passou, então, a ser um símbolo natalino, com suas roupas marrom e verde. Porém, em 1931, a Coca-Cola usou a imagem de Papai Noel criada por Nast, um cartunista alemão, em sua campanha publicitária. O “novo” velhinho usava roupa vermelha e preta, que são também as cores da empresa. A partir daí Papai Noel, que antes era conhecido apenas na Alemanha, virou o símbolo natalino que ele mantém até hoje.

O Natal em seu verdadeiro sentido


Maria Anízia estava na catedral para se confessar.
Todos sabem que o Natal simboliza o nascimento de Jesus Cristo, mas poucos realmente fazem do natal uma cerimônia religiosa e não somente uma comemoração festiva com troca de presentes. Um exemplo dessa exceção é a senhora Maria Anízia dos Santos, que não costuma enfeitar sua casa no Natal, mas sim aproveitar a data para fazer orações e se preparar para receber cada vez mais Jesus em seu coração. Para ela, a sociedade se esqueceu do que deve realmente ser comemorado porque já se passou muito tempo do nascimento de Cristo, e diz ainda que “os corações das pessoas devem ser a manjedoura para que Jesus possa se deitar”. Comenta também que muita gente pensa em dinheiro e presentes, mas diz que se ela tivesse dinheiro preferiria doar para os necessitados. O que é observado na senhora Maria Anízia dos Santos é o que pouco se vê na sociedade: o espírito religioso em que a data foi inspirada. Com o crescimento do comércio em volta da data trocam-se os valores, o Natal passa a ser muito mais uma data lucrativa e materialista do que espiritual. Maria Anízia dos Santos irá aproveitar o Natal para rezar as novenas de livros que comprou na Livraria Paulinas.


Antônio Carlos, vendedor da livraria Paulina.
A Livraria Paulinas é um local onde são vendidas tanto estatuetas de santos e decoração, quanto quadros, imagens e cd’s, mas seu principal foco são os livros. O vendedor Antônio Carlos Nunes Santos conta que a livraria foi idealizada pelo Padre Tiago Alberione, italiano, e foi inspirada na palavra de São Paulo, que é levar a palavra de Deus a todas as pessoas, então o Padre pensou que poderia ser através da comunicação de livros e músicas. Portanto, a principal intenção da livraria é a disponibilização de livros para que a partir das suas leituras as pessoas possam entender a religião e incorporá-la em suas vidas. O vendedor revela que mesmo que a sociedade, em sua maioria, veja o Natal de uma forma distorcida dos fundamentos cristãos, ainda assim a livraria começa a ter um crescimento do  úblico nessa época, em sua maioria são pessoas do sexo feminino e com idade avançada – um forte exemplo da senhora Maria Anízia dos Santos.


Presépio, enfeite religioso muito comum nesta época.

O Natal solidário

Um dos principais aspectos do natal é a troca de presentes, mas nem sempre quem os ganha realmente os precisa. Pensando nisso foi criada a campanha de Natal dos Correios, onde são depositadas milhares de cartas de crianças carentes endereçadas ao Papai Noel com pedidos de presentes. Em Aracaju a campanha “Papai Noel dos Correios 2011” teve início no dia 12 de outubro e se estenderá até o dia 30 de novembro. No ano passado foram depositadas 43 mil cartas durante a campanha, e tiveram seus pedidos atendidos cerca de nove mil crianças. As cartas ao bom velhinho podem ser postadas em qualquer agência dos Correios e precisa ter o endereço completo do remetente. E quem quiser adotar alguma das cartinhas basta ir até a agência central dos Correios a partir de 1º de novembro. Para quem não esquece que o Natal é uma época de reflexão interior e sente que em si despertou o espírito de cooperação, amizade e amor, o natal solidário dos Correios é uma boa opção.

Natal, que em latim (Natalis) significa nascer, nos traz a ideia de renascimento, começar de novo. E seja qual for sua religião, o fim do ano é sempre uma boa época para agradecer e estar com a família, relembrar os bons momentos, presentear as pessoas amadas e ajudar a quem precisa. Essas são coisas que, afinal, deveriam ser praticadas por todos durante o ano inteiro.

quarta-feira, 9 de novembro de 2011

Com projeto de revitalização apenas no papel, o Beco dos Côcos é “ drogas e prostituição”


Por Ayalla Anjos, Cleanderson Santana, Leandro Calado, Maíra Silveira, Sóstina Silva, Thaís Guedes

No passado, concentravam-se os melhores cabarés no beco dos côcos 
Hoje o local é abandonado pelos órgãos públicos

Famosa rua aracajuana localizada entre a Praça General Valadão e o mercado central, antes conhecida por ter tido os melhores “prostíbulos” da cidade. Hoje, o mesmo local é ponto de uso de drogas, onde funciona a cracolândia do centro da cidade. Assim é o beco dos cocos, local onde durante o período da manhã compõe o centro comercial de Aracaju, e a noite passa a ser “residência” de muitos viciados em drogas. “O problema daqui é o consumo de drogas, os usuários consomem a qualquer momento do dia e não respeitam ninguém. Quem passa e vê as pessoas usando drogas ficam assustados e não voltam mais e isso acaba atrapalhando as vendas. A polícia aqui passa uma vez ou outra, fazem uma falta danada, o beco está abandonado.” afirma Claudio Mota que trabalha como vendedor no beco há oito anos em uma loja comercial. Lugar onde as pessoas evitam transitar, por ser um local de assaltos constantes.
            À noite, o beco deixa de ser dos côcos e passa a ser o beco daqueles que parecem ter sido esquecidos por Deus: viciados, mulheres e crianças dispostos a qualquer coisa para conseguir a “droga nossa de cada dia”, travestis disputando espaço e clientes com as prostitutas, batalhando pelo seu ganha pão. Cena digna do filme “Eu, Christiane F. 13 anos, drogada, prostituida.” Porém essa cena não se passa em um subúrbio de Berlim, e sim aqui bem perto no centro de Aracaju.

O comerciante Carlos Vagner trabalha no Beco dos Côcos desde a década 90

É proibido estacionar, mas o beco serve de estacionamento

"Não tema os erros, eles não existem", diz a mensagem.

No beco dos côcos, os erros teimam em existir: vazamento de esgoto.

Problemas de esgoto compõem o cenário do beco




Alô, é da prefeitura?

              No ano de 2009, para promover uma mudança na “cara” do Beco dos Côcos, a Prefeitura Municipal de Aracaju lançou um projeto de revitalização que tinha como proposta a construção de um calçadão que serviria como via de circulação de pedestres. O projeto foi orçamentado em R$ 236.404,00 e seria executado a partir de janeiro de 2010. Houve várias reuniões na associação dos comerciários, em que os comerciantes apresentaram propostas de revitalização. "Achamos que o projeto ia sair do papel, mas até agora o beco dos cocos só tem drogas e prostituição ao fechar as portas da loja”, relata o vendedor Cássio Correia. De acordo com os comerciantes, da última reunião, que foi realizada ano passado, restou apenas a promessa de que o projeto estaria concluído até o final de 2010. 
            A única revitalização pela qual o beco dos côcos passou foi em 2009, com a intervenção de artistas plásticos e grafiteiros que ficaram responsáveis por tornar o espaço frequentável, um local de lazer e referência cultural. O local teve todas as suas paredes cobertas de desenhos e de cores, assim também como as calçadas, os postes. Além disso, o espaço contou com o projeto “Sexta no beco”, uma iniciativa do grupo Coletivo no Beco, formado por artistas, grupos folclóricos, de circo e audiovisual. Esse projeto deu certo, por um tempo.


Poucos pedestres circulam diariamente no beco

Grafites fizeram parte da intervenção

Acredite no Brasil, diz a mensagem na camisa do engraxate Tiago dos Santos

E tudo volta a ser como antes

 Durante um tempo, o beco dos côcos teve seu público renovado as sextas à noite. Os antigos frequentadores foram afastados e outras pessoas em busca de outro tipo de diversão foram atraídas, mas não por muito tempo. Aos poucos o projeto “Sexta no Beco” foi perdendo suas forças.
          Organizado pelo “Coletivo no beco”, o projeto era realizado sem apoio financeiro da prefeitura, o que inviabilizou a sua continuidade. "No início foi legal, a música era boa, o ambiente era bom, mas com o passar do tempo acho que houve um abandono por parte da prefeitura, o público começou a diminuir e o beco voltou a ter o sei cheiro habitual de urina. Eu cheguei a ir umas quatro vezes, mas abandonei o barco antes que afundasse" afirma Camila Cavalcantes, estudante e ex freqüentadora do beco dos cocos.
           Após o fracasso, o Beco dos cocos voltou a ser de seus verdadeiros donos, que fielmente retornaram a sua morada noturna. Hoje o beco é dos viciados e das prostitutas. “ O beco dos cocos é só drogas a partir das 16 horas. É uma farra, é a verdadeira cracolândia sergipana.”- desabafa Claudio Correia, vendedor em uma loja de artigos de pesca localizada no beco.

quarta-feira, 2 de novembro de 2011

Minha rua, minha casa

Na Capital da Qualidade de Vida, centenas de desabrigados moram nas ruas.
         
A pequenina e a sua "Grande Família"
Por Roberto Aguiar, Luiza Cazumbá, Eduardo Ferreira, Mateus Alves e Shayne Coelho

Ao andar pelas ruas de Aracaju encontramos crianças, jovens e idosos dormindo em calçadas, esquinas e praças. No movimento da cidade, carros e pedestres, os mendigos tornam-se invisíveis. Não invisíveis aos nossos olhos, mas invisível a nossa consciência e passamos aceitar essa situação como normal.

Uns sobrevivem com esmolas e ajuda de instituições de caridades. Outros lavam carros e cuidam de veículos estacionados em vias públicas. Uns tem o ensino fundamental ou médio completo. Outros nunca freqüentaram a escola. Uns perderam sua juventude ou chegaram à velhice nas ruas. Outros nasceram nas ruas. Uns perderam famílias, outros formaram. Na enorme corrente da cidade, a rua é o elo das vidas desiguais.

Elas não estão brincando de "casinha".
Estão vivendo a dura realidade. 

"Era uma casa (...) não tinha teto, não tinha nada".

Antônio Carlos, conhecido como Kinô, 25 anos, há 20 morando
 nas ruas de Aracaju.

Quando a esquina da rua transforma-se em cozinha...

... e o meio fio, em mesa.

Jamesso santos, 50 anos, mora na rua há 12 anos.
 Faz e sobrevive da venda de artesanato.
 "Queria uma casa para descansar à noite", disse.

Quando bate o cansaço, qualquer lugar é lugar para repousar.

Quando nada mais resta, só lhe resta a fé.

Ponte Aracaju-Barra e sua dupla funcionalidade.
Em cima, carros. Embaixo, abrigo.  

Cansada de perambular pelas ruas, sem destino certo.
As sacolas plásticas com seus objetos, a árvore como apoio

 e a sombra como companhia.

Catedral de Aracaju - espaço de oração para uns, abrigo para outros. 




Henrique Tavares, 53 anos, fiel da Igreja Católica faz oração antes
 da distribuição   do café da manhã.  Há sete anos, Henrique distribui 
café aos moradores de rua, aos sábados, logo após a primeira
 missa do dia.




     
O pão de cada dia é sempre uma doação.



Lucimar França Santos, 39 anos, foi a escolhida do dia  por
 Henrique para distribuir o café aos seus companheiros de rua.